Paulo Sérgio Pinheiro, enviado especial da ONU para os direitos humanos, chegou hoje à Birmânia para uma visita de cinco dias. A Junta militar birmanesa recusava a sua entrada no país há já quatro anos.
“Espero que a minha estadia seja frutuosa”, comentou o enviado da ONU aos jornalistas.
Segundo um responsável do Governo birmanês, em anonimato, Sérgio Pinheiro vai encontrar-se, em Naypyidaw, com “o ministro dos Negócios Estrangeiros, o ministro do Trabalho e com o comité dos direitos do Homem. Vai reunir-se com o primeiro-ministro antes de viajar para Rangun, a 14 de Novembro”.
Ainda se desconhece se o enviado da ONU vai encontrar-se, ou não, com a líder da oposição, Aung San Suu Kyi.
A visita de Sérgio Pinheiro ocorre seis semanas depois da Junta Militar ter reprimido um movimento de protesto popular, liderado pelos monges budistas. Pelo menos 13 pessoas morreram e as forças de segurança birmanesas prenderam três mil pessoas.
As organizações de defesa dos direitos humanos acreditam que a visita de Sérgio Pinheiro pode ser usada para manter a pressão sobre a Junta Militar para libertar todos os prisioneiros políticos que, segundo a Amnistia Internacional, serão 700 pessoas.
Durante uma reunião com o seu partido, a Liga Nacional para a Democracia, Suu Kyi disse estar disposta a “cooperar”, por considerar que o regime aspira à reconciliação nacional.



