Desde 1995 que os Estados Unidos não enviavam à Birmânia um tão alto responsável do seu Governo. O vice-secretário de Estado para a Ásia Oriental, Kurt Campbell, encontrou-se hoje em Rangum com a líder da oposição, Aung San Suu Kyi, durante duas horas. Houve fotografias, mas faltaram declarações.
Ontem, Campbell e o seu assistente Scot Marciel tiveram encontros com vários responsáveis da junta militar, em Naypyidaw, mas não chegaram a ver o general Than Shwe, que há 17 anos controla o país com mão de ferro. E esta manhã, antes da reunião com a Nobel da Paz, os enviados falaram pessoalmente com o primeiro-ministro, Thein Sein.
Washington não quis elevar demasiado as expectativas, apesar da raridade da visita. A deslocação do responsável norte-americano foi descrita como uma missão de “levantamento de informações”, mais do que uma tentativa deliberada de obter resultados diplomáticos.
Mas ela consubstancia uma mudança de abordagem da Administração de Barack Obama, que optou por manter as sanções decretadas contra a junta em 1997, ao mesmo tempo que aposta num diálogo. O objectivo é conseguir que o país, um dos mais isolados do mundo, se comprometa com um processo de reformas.
Espera-se que ainda hoje Campbell possa encontrar-se com representantes de grupos étnicos e membros da Liga Nacional para a Democracia (LND) de Suu Kyi.
A junta militar organizou eleições para 2010, mas ainda não se sabe que a LND pretende ou não participar na votação para um novo Parlamento. A data ainda não está marcada, e falta uma lei eleitoral. Os observadores são unânimes no cepticismo de que estas possam ser eleições livres.Em 1990, a Liga ganhou as legislativas, mas a junta nunca lhe passou o poder.
Suu Kyi continua em detenção domiciliária e há vários presos políticos no país. Hoje, foi autorizada a deixar a sua residência por duas horas, para este encontro com Campbell. Foi a primeira vez desde 2003 que a “Dama de Rangum” apareceu em público, recorda a AFP.
A junta garantiu que Suu Kyi ficava impedida de concorrer às eleições do próximo ano ao condená-la, em Agosto, a mais 18 meses de prisão por alegadamente ter quebrado os termos da sua prisão domiciliária.


