Negociações terminaram esta madrugada

Empresa e sindicato chegam a acordo para manter “Boston Globe” nas bancas

06.05.2009 - 11:49 Por Ana Machado

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O encerramento do "Boston Globe" está para já afastado O encerramento do "Boston Globe" está para já afastado (Brian Snyder/Reuters)
O sindicato dos jornalistas, que representa 600 trabalhadores do “Boston Globe", e o único com o qual decorriam ainda negociações, aceitou as condições da “New York Times Company", a empresa que detém o jornal, adiando para já o encerramento deste título com 137 anos, o mais lido dos dois diários de Boston.

“Encerramos as negociações com o [Boston Newspaper] Guild mas decidimos não revelar já os detalhes dessas negociações até que a direcção da empresa fale com o sindicato amanhã”, disse Robert Powers, porta-voz do jornal.

As negociações, que tinham como objectivo uma revisão dos salários e cortes nos benefícios dos trabalhadores, decorreu toda a noite e acabou pelas 3 da manhã. Alguns funcionários, que falaram anonimamente dizem que o acordo prevê reformas antecipadas para 190 trabalhadores há mais de 17 anos na empresa e concessões em relação a rescisões unilaterais no futuro, permitindo despedimentos para equilibrar as contas da empresa, caso seja necessário. Segundo um acordo assinado com os sindicatos em 1991, a empresa não pode despedir funcionários que tenham trabalhado continuamente até àquela data no jornal. A não ser que o jornal feche. A protecção aplica-se a 430 trabalhadores. O “Boston Globe” foi comprado em 1993 pela New York Times Company, que detém também o “New York Times” e o “International Herald Tribune”, para além de vários títulos regionais.

Um autêntica maratona negocial decorreu durante 19 horas, na segunda-feira, sem resultados, o que levou a empresa a ameaçar com o encerramento do jornal. A New York Times Company afirmou que queria cortar benefícios dos trabalhadores que fariam o jornal poupar 20 milhões de dólares, mas acabou por ficar pelos 10 milhões. O prejuízo da empresa no último ano foi de 85 milhões, devido, em grande parte, a uma quebra de investimento publicitário que dizem ser a pior da história do jornal desde a Grande Depressão de 1929.

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