• Uma noite no hostel mais limpo do mundo
  • "Nada Tenho de Meu" - Um diário de viagem ficcionado no Extremo Oriente
  • O satay de porco do chef Paulo Morais

Estado da Nação

Em ano eleitoral, Obama promete defender os interesses da classe média

25.01.2012 - 07:52 Por Kathleen Gomes, em Washington

  • Votar 
  •  | 
  •  2 votos 
 (Fotos: Saul Loeb/Reuters)
Oficialmente, a campanha de reeleição de Barack Obama ainda não começou, mas o seu discurso perante o Congresso na terça-feira à noite serviu como uma antecipação dos temas que o presidente americano vai usar nos próximos 10 meses para procurar convencer o eleitorado e traçar um contraste com as propostas dos seus rivais republicanos.

No seu discurso anual sobre o Estado da União, Obama fez uma defesa assertiva da classe média e lançou um novo apelo ao aumento dos impostos pagos por milionários – uma ideia que tem sido sistematicamente rejeitada pelos seus adversários republicanos.

Ele notou que “nenhum desafio é mais urgente” e “nenhum debate mais importante” do que a desigualdade económica, “num país onde um número cada vez menor de pessoas vive muito bem, enquanto um número crescente de americanos mal consegue subsistir”. (Qualquer pessoa à procura de sinais da influência do movimento Occupy Wall Street na política americana pode tirar notas.)

“Precisamos de reformar o nosso código fiscal para que pessoas como eu e muitos membros do Congresso paguem a sua justa fatia de impostos”, disse. Obama não se limitou a lembrar que alguns bilionários pagam uma taxa fiscal mais pequena do que as suas secretárias – ele convidou a secretária do bilionário Warren Buffett para assistir ao seu discurso no Congresso e ilustrar o seu argumento. Os republicanos têm acusado o presidente de alimentar uma “guerra de classes” ao defender propostas como esta.
Por coincidência, o discurso de Obama teve lugar no mesmo dia em que um dos candidatos republicanos às eleições presidenciais, Mitt Romney, fez saber que nos últimos dois anos pagou uma taxa fiscal de 13,9%, mais de metade do que pessoas com a mesma média de rendimentos devem pagar.

O discurso durou uma hora e centrou-se quase inteiramente na economia. Obama apresentou várias propostas, como a atribuição de incentivos a empresas que voltem a basear a sua produção nos Estados Unidos em vez do estrangeiro, o alívio fiscal de pequenas e médias empresas ou a possibilidade de cidadãos com hipotecas poderem renegociar os empréstimos com taxas de juros mais baixas. Também avisou que não haveria mais resgates e ajudas a Wall Street ou aos bancos, evocando as medidas adoptadas em 2008 para estancar o colapso financeiro que se revelaram impopulares junto da população americana.

O seu tom foi confiante, quase combativo. “Tenciono combater a obstrução [do Congresso] com acção”, disse. E: “Com ou sem o Congresso, tomarei medidas para ajudar a economia a crescer.”

Ele não deixou de se referir aos ideais da reconciliação partidária – “Precisamos de acabar com a noção de que os dois partidos devem estar envolvidos numa campanha perpétua de destruição mútua” – mas este é definitivamente um Obama mais agressivo. Talvez seja o melhor sinal de que a campanha de reeleição já começou.


Estatísticas

  • 1165 leitores
  • 9 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1530598

Comentário + votado

Mais do mesmo

Desde Kennedy e da sua "Big Society" que o estado cobra imposto aos ricos, e não tão ricos, para ...

Mércia Fonseca

25.01.2012 12:16

X

Mais em Mundo (3 de 17 artigos)

Wuterich à saída do tribunal Militar americano evita prisão no caso do ataque que matou 24 iraquianos