Os partidos de direita registaram uma vitória expressiva sobre os socialistas nas eleições europeias de ontem, sufrágio que ficou marcado por um novo valor recorde de abstenção – 56,45, o valor mais elevado nos 30 anos de eleições europeias directas – e no qual os partidos de extrema-direita e anti-imigração capitalizaram igualmente alguns ganhos.
Segundo as estimativas publicadas pelo Parlamento Europeu, os conservadores do Partido Popular Europeu (PPE) devem conseguir 267 do total de 736 assentos, mantendo o domínio da câmara – que antes tinha 785 deputados –, apesar de uma ligeira quebra percentual em relação a 2004 (agora com 36,3 por centro dos votos contra 36,7 de há cinco anos).
É um resultado bem acima do conseguido pelo grupo socialista, que não terá ido além dos 183 deputados – embora possam ainda ganhar algum terreno com a vintena de deputados eleitos pelos democratas italianos que deverão juntar-se aos socialistas. “É uma noite triste para a social-democracia na Europa, Estamos muito desapontados, é uma noite amarga para nós”, afirmou ainda ontem à noite o líder dos socialistas europeus, o alemão Martin Schulz, citado pela BBC online.
Atrás dos conservadores e socialistas europeus surgem os liberais, com um resultado estável de 81 deputados eleitos, e os Verdes que se reforçam significativamente com 50 assentos conquistados (possuíam 43 na anterior legislatura). Grupos políticos de franja, sobretudo os de extrema-direita, conseguiram eleger deputados na Holanda, na Áustria, Dinamarca, Eslováquia, Hungria, e também no Reino Unido onde o Partido Nacionalista obteve dois deputados, um feito inédito no país numa eleição a nível nacional.
O triunfo generalizado dos conservadores por toda a Europa deverá assegurar um novo mandato de José Manuel Barroso à frente da Comissão Europeia, sublinhava a AFP – tendo, de resto, a maioria dos dirigentes dos 27 países membros da UE já manifestado uma posição favorável à sua continuidade. “No geral, os resultados expressam uma vitória inegável daqueles partidos e candidatos que apoiam o projecto europeu e que querem ver a União Europeia a prosseguir uma política de respostas às preocupações quotidianas [dos eleitores]”, avaliou Barroso.
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