A Síria leva a cabo eleições locais, nesta segunda-feira, apesar do ambiente de violência, entre as forças do regime e os manifestantes que exigem mais democracia no país.
As autoridades garantiram que o voto será livre, mas a oposição pediu um boicote generalizado nesta ida às urnas. O boicote está a ser cumprido em diversas localidades, segundo diferentes agências internacionais. É esperada uma elevada taxa de abstenção até porque muitos sírios não arriscam deslocar-se às mesas de voto, temendo uma escalada de violência. Paralelamente, num novo gesto de desobediência civil, muitos trabalhadores fizeram greve nesta segunda-feira.
A Síria recusou-se a deixar entrar no país observadores internacionais para supervisionarem estas eleições.
Cerca de 43 mil candidatos estão a competir por cerca de 17 mil assentos em conselhos municipais em todo o país. O ministro do interior do país está a usar tinta invisível para marcar as pessoas que já votaram, a fim de evitar a fraude eleitoral, adiantou a agência noticiosa Sana.
Domingo foi marcado por violência em diversas cidades. Dezenas de pessoas morreram nos confrontos. A ONU estima que mais de 4000 pessoas já morreram desde o início das manifestações que pedem mais democracia para o país.
A terceira maior cidade síria, Homs, parece uma “zona de guerra”, avança a BBC, com batalhas campais a aconteceram a um ritmo diário entre unidades do Exército e forças da oposição.
O Presidente Bashar al-Assad encontra-se sob forte pressão internacional para pôr fim à repressão. A comissária para os Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, deverá dar conta ao Conselho de Segurança das Nações Unidas daquilo que se está a passar no terreno.
No sábado a Liga Árabe deverá igualmente discutir a aceitação condicional por parte de Damasco do plano da Liga de enviar monitores para testemunharem a violência no terreno.
Em Novembro, a Liga suspendeu a Síria da organização, em protesto contra as contínuas represálias e impôs sanções económicas ao país.
Paralelamente, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Alain Juppé, acusou a Síria de estar por detrás dos ataques levados a cabo no sul do Líbano contra cinco militares franceses das forças de manutenção da paz. “Achamos que é o mais provável, embora não tenhamos provas”, disse Alain Juppé à rádio RFI.
Quando questionado se achava que o Hezbollah teria levado a cabo o ataque por intermédio de Damasco, Juppé disse: “Com certeza. É o braço armado da Síria no Líbano”.
A Síria ainda não teceu qualquer comentário face a estas acusações. A França tem liderado os esforços ocidentais para obrigar Assad a pôr fim à repressão contra os seus concidadãos.



