É em Pontevedra que tudo se vai decidir

Eleições galegas confortam socialistas e conservadores

21.06.2005 - 09:17 Por Nuno Ribeiro, PÚBLICO, Madrid

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Fraga Iribarne é visto pelos analistas como a solução e o problema Fraga Iribarne é visto pelos analistas como a solução e o problema (EPA)
A uma semana da decisiva contagem do voto dos emigrantes, o resultado das eleições galegas contentou os socialistas e os conservadores. Os primeiros, porque continuaram a progressão eleitoral iniciada em 14 de Março de 2004 com a vitória de José Luís Rodriguez Zapatero. Os segundos, porque mantiveram na Galiza a sua forte base social de apoio. Daí que a leitura nacional do escrutínio de domingo seja benigna para o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e para o Partido Popular (PP).

"Os resultados deles [PSOE] não são para embandeirar em arco", considerou ontem Mariano Rajoy, líder do PP. "Ainda estamos em eleições, à espera da contagem dos votos da emigração." Rajoy estava aliviado, após os primeiros momentos de tensão na noite eleitoral, quando todas as sondagens à boca das urnas indicavam um descalabro dos seus. Perderam quatro deputados, tiveram menos 55 mil votos, mas mantêm a possibilidade de obter maioria absoluta (ver caixa) e nunca serão claramente derrotados na sua "Baviera". No entanto, têm problemas.

A autoridade moral de Manuel Fraga Iribarne funcionou in extremis, mas não esconde a dimensão do problema: o carácter do veterano político impede uma liderança ágil, ou seja, Fraga foi solução, mas continua a ser problema. A sua sucessão aguarda o desenlace eleitoral, e é em Pontevedra, província onde pontifica Alberto Feijoo, o delfim preferido de Rajoy, que tudo se vai decidir, Caso a contagem de votos não seja favorável, os "clãs" do PP galego terão o álibi para derrotarem Feijoo.

Rajoy fez uma aposta clara. Afirmou que a sua liderança estava em jogo nas eleições de domingo. Desde que foi derrotado em Março do ano passado por Zapatero, o líder dos "populares" não teve sucessos: no escrutínio andaluz não recuperou, perdeu as europeias, diminuiu a sua presença no País Basco e limitou os estragos na Galiza. Uma "folha de serviços" que preocupa os líderes "populares" e que pode ser um obstáculo à eficiência do duro ataque que, desde há três semanas e com três manifestações consecutivas, dirigem contra o Governo socialista.

Para Zapatero, o essencial depois da sua vitória inesperada nas eleições gerais era dar corpo ao seu lema: a mudança. Na Andaluzia, seu tradicional feudo, não houve problemas. Nas europeias venceu, no País Basco e na Galiza impôs mudanças. Em Euskadi, o reforço dos socialistas e a perda de votos dos nacionalistas consagraram o fim do "plano Ibarretxe" e propiciaram um novo quadro político. Em terras galegas, com uma subida de 180 mil votos e mais quatro deputados, puseram em xeque a maioria absoluta de Fraga e podem, ainda, conquistar o poder. "Ganhámos no domingo e ganharemos na contagem dos votos da emigração", sintetizou ontem José Blanco, secretário-geral de organização do PSOE.

Os dois grandes partidos espanhóis sentem-se aliviados porque, após cinco eleições em 15 meses, o calendário dá tréguas: a próxima ida às urnas é só em 2007, para as autonómicas e municipais. Até então, os dois líderes têm uma carregada agenda de trabalho. Mariano Rajoy terá tempo para configurar uma nova equipa e para definir a estratégia do PP: se um partido que faz o pleno da direita espanhola ou se opta por uma solução mais centrista.

Rodriguez Zapatero deverá dinamizar o Executivo em áreas de indecisão: sobretudo na área económica, onde grandes reformas, como a dos impostos, têm sido proteladas. E, sem horizontes eleitorais inibidores, avançar a partir do próximo Outono na revisão dos estatutos autonómicos para desenhar um novo quadro de Espanha.

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