Dois dia depois de um acordo de reconciliação entre as duas facções rivais palestinianas, Fatah e Hamas, o Egipto anunciou a abertura permanente da sua fronteira com Gaza, a fim de aligeirar o bloqueio imposto por Israel ao território. O Governo de Telavive já fez saber que não gostou da iniciativa.
O Egipto “vai tomar medidas importantes para ajudar a aligeirar o bloqueio nos próximos dias”, afirmou o ministro interino dos Negócios Estrangeiros, Nabil al-Arabi, à cadeia de televisão Al-Jazira.
O mesmo responsável adiantou que não será aceitável que o terminal fronteiriço de Rafah, o único do enclave palestiniano que não é controlado por Israel, continue bloqueado, e considerou “vergonhoso” mantê-lo encerrado, cita a AFP.
O anúncio marca uma viragem significativa na política externa do Cairo – a maior das últimas três décadas, assinala a BBC.
Durante o regime do antigo Presidente egípcio Hosni Mubarak o país abria a sua fronteira de forma excepcional, alguns dias por mês, devido a questões humanitárias. As autoridades egípcias invocavam a lutra contra vários tráficos para encerrar o posto; eram acusadas de cumplicidade com o bloqueio imposto por Israel quando o Hamas tomou o controlo de Gaza, há quatro anos, com a justificação de que é necessário para impedir a entrada de armas no território.
“Estamos muito inquietos”, reagiu um alto responsável israelita depois do anúncio. E sublinhou que Israel está “muito preocupada com os desenvolvimentos no Egipto, com as essas vozes que apelam à anulação do tratado de paz [israelo-egípcio], pela aproximação entre o Egipto e o Irão e pelo aumento das relações entre o Egipto e o Hamas”, adianta a agência francesa.
A Autoridade Palestiniana (com poder na Cisjordânia) e o movimento islamista Hamas saudaram ambas a decisão do Cairo.
“Felicitamos este passo do Egipto. Há muito que fazíamos pressão para que se pusesse um fim ao sofrimento da população em Gaza”, declarou à agência francesa o negociador palestiniano, Saëb Erakat.
Um responsável do Hamas encarregue das fronteiras, Hatem Ewideh, saudou também o gesto, sublinhando “a importância da abertura de um ponto de passagem comercial com o Egipto”.
No ano passado, o Comité Internacional da Cruz Vermelha considerou o bloqueio a Gaza uma violação do direito internacional.



