Os líderes do Conselho Supremo Militar egípcio revelaram que vão levar a tribunal 43 pessoas numa investigação criminal polémica ao financiamento de organizações não governamentais no país, incluindo 19 norte-americanos, numa decisão que está a causar tensões na aliança do Egipto com os Estados Unidos.
Escritórios de várias organizações foram revistados e numerosos funcionários ficaram proibidos de deixar o país no âmbito deste inquérito, em que os militares acusam alguns grupos estrangeiros de financiarem as manifestações contra o seu Governo.
Os funcionários visados pelas autoridades egípcias nesta investigação são acusados de “criar ramos de organizações internacionais no Egipto sem licença do Governo egípcio” e de “receberem financiamento estrangeiro ilegal”.
Porta-voz do Departamento de Estado norte-americano expressou “a profunda preocupação” de Washington face a estes desenvolvimentos, avançando ainda que os Estados Unidos pediram “esclarecimentos” ao Governo egípcio, avisando prontamente que a ajuda norte-americana ao Egipto – prestada no âmbito de uma aliança com mais de 30 anos – poderá ser “revista” se as autoridades no Cairo não respeitarem os direitos das organizações não governamentais.
A Human Rights Watch já ontem instara o Governo egípcio a abandonar as acusações feitas contra os funcionários das ONG. “O financiamento vindo do estrangeiro é crucial para que [as ONG] funcionem. Este Governo militar no Egipto está agora a usar o tipo de tácticas que são seguidas no Zimbabué e na Etiópia para silenciar vozes independentes”, acusou ainda aquela organização em comunicado.



