O Egipto começou hoje a construir um muro ao longo da fronteira com a Faixa de Gaza, semanas depois de milhares de palestinianos terem passado a frágil vedação que separa os dois territórios para fugir ao bloqueio israelita.
Segundo uma fonte dos serviços de segurança israelitas, que falou à AFP sob condição de anonimato, o muro terá três metros de altura “ao longo de toda a fronteira com a Faixa de Gaza”.
“Trata-se de uma medida preventiva. De momento, não existem riscos de novas brechas” na fronteira, adiantou o mesmo responsável, adiantando que já estão concluídos “três quilómetros” de muro.
No final de Janeiro, militantes do Hamas fizeram explodir troços da barreira fronteiriça junto a Rafah, no Sul da Faixa de Gaza, abrindo caminho a centenas de milhares de palestinianos que nos dias seguintes entraram no Egipto para se reabastecer, numa altura em que o bloqueio israelita deixara o território à beira de uma catástrofe humanitária.
Pressionado por Israel, que temia que a situação fosse usada para o tráfico de armas, o Egipto acabaria por voltar a restabelecer o controlo da fronteira dias depois.
O Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde Junho do ano passado, mantém as suas forças no lado palestiniano da fronteira, apesar de o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, exigir que essa tarefa seja cumprida pelas forças de segurança, dominadas pelo seu movimento, a Fatah.
Esta situação impede a aplicação de um acordo de 2005, aprovado quando a Fatah ainda controlava Gaza, segundo o qual o posto fronteiriço de Rafah deveria ser controlado por observadores da União Europeia, ao mesmo tempo que câmaras de vigilância permitiam a Israel acompanhar em directo o que se passa no local – o que o Hamas recusa.
A construção do muro é anunciada no mesmo dia em que um relatório elaborado por várias agências humanitárias revela que a situação humanitária no pequeno território, onde vivem 1,5 milhões de pessoas, é a mais grave registada no território desde o início da ocupação israelita, em 1967.


