Egipto e Argélia em pé de guerra por causa de um jogo de futebol

20.11.2009 - 21:36 Por Clara Barata
O futebol pode criar uma verdadeira crise diplomática entre dois países, com embaixadores chamados às respectivas capitais? A resposta é positiva, no caso do jogo de qualificação para o Mundial da África do Sul entre a Argélia e o Egipto, que deu a Argel o desejado lugar na competição e deixou o mais populoso país árabe entregue a um desespero inconsolável desde quarta-feira.
Hoje, voltou a haver uma manifestação de que resultaram pelo menos 35 feridos, dos quais 11 polícias, frente à Embaixada da Argélia no Cairo, dois dias depois da partida que deu a vitória (1-0) aos Verdes sobre os Faraós, dando-lhes o bilhete para o Mundial de 2010. Desde então, ou na verdade desde o primeiro jogo entre os dois rivais, no sábado, quando o autocarro da equipa argelina foi apedrejado no Cairo, que os ânimos andam agitados. Mas o jogo de quarta-feira em Cartum, no Sudão, fez transbordar todos os copos.
Primeiro foi o Egipto que chamou o seu embaixador em Argel de volta, para consultas. Hoje, foi a vez do ministro dos Negócios Estrangeiros argelino, Mourad Medelci, chamar o embaixador egípcio, para lhe manifestar “a sua incompreensão e grande preocupação face à escalada da campanha mediática no Egipto” contra a Argélia.
Isto depois de Alaa Mubarak, o filho mais velho do Presidente egípcio, Hosni Mubarak, ter feito declarações em que chamou “mercenários” aos apoiantes da selecção argelina. Segundo a agência AFP, também qualificou como “terroristas” os incidentes que os egípcios dizem ter acontecido antes e depois do jogo em Cartum que decidiu quem iria à África do Sul.
A agência noticiosa Mena diz que estas declarações foram feitas durante uma “emissão desportiva”, e Alaa Mubarak adiantou ainda que o seu país deve apresentar queixa à FIFA contra a Argélia por intimidação. “Há qualquer coisa estranha na Argélia. Uma mistura de maldade e rancor contra o Egipto”, afirmou.
A rivalidade desportiva entre os dois países não é uma coisa nova. Em 1989, por exemplo, houve sérios motins no Cairo após um jogo de futebol. E ainda que ambos sejam membros da Liga Árabe, da Organização da Conferência Islâmica e da União Africana, têm por vezes relações económicas e políticas difíceis, sublinha a AFP.
Desta vez, até o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, se viu obrigado a intervir: “Apelo à calma e à razão da rua árabe. Este caso deve ser reduzido às suas justas proporções, e tanto os egípcios como os argelinos são árabes”, disse à AFP.

