Durão Barroso reeleito pela direita europeia

16.09.2009 - 12:28 Por Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas
Sem surpresas, Durão Barroso foi hoje reeleito pelo Parlamento Europeu (PE) para um segundo mandato de presidente da Comissão Europeia, com uma maioria absoluta de 382 votos a favor, 219 contra e 117 abstenções.
Apesar de largamente confortável, a maioria hoje conseguida de 53 por cento dos votantes, ficou aquém do resultado de 58 por cento obtido pelo presidente da Comissão há cinco anos, o que traduz a leitura crítica de parte do PE sobre o balanço do seu primeiro mandato.
Imediatamente após o voto, Barroso agradeceu, em português, a “enorme confiança” manifestada pelo PE, que confirma o apoio unânime à sua recondução que já tinha sido expresso pelos líderes da União Europeia (UE) em Junho passado. Ao mesmo tempo, agradeceu o apoio de todos os seus apoiantes, incluindo o primeiro-ministro português, José Sócrates, e o Presidente da República, Cavaco Silva.
A eleição marca o arranque do processo de constituição da nova Comissão Europeia que deveria entrar em funções a 1 de Novembro. O processo poderá no entanto ser atrasado se os governos da UE preferirem esperar pela entrada em vigor do Tratado de Lisboa, que volta a referendo, para ratificação, na Irlanda a 2 de Outubro, de modo a ter em conta os diferentes procedimentos e composição do executivo europeu, a única instituição comunitária que tem o poder de apresentar propostas legislativas.
Apesar de legalmente, à luz do Tratado de Nice, ainda em vigor, Barroso só necessitasse de obter a maioria relativa dos votos expressos (360 em 718 votantes), grande parte dos governos europeus e do PE defendia que deveria visar o limiar previsto no Tratado de Lisboa (maioria absoluta dos eurodeputados, ou seja, 369 votos em 736). Esta exigência, que foi largamente conseguida, destinava-se a desfazer eventuais questões sobre a sua legitimidade e evitar a realização de uma nova votação que poderia ser considerada necessária com a entrada em vigor do novo Tratado.
A eleição de Barroso contou com a oposição dos grupos dos Verdes (55 deputados), da Esquerda Unitária (35 membros) dos antieuropeus Europa da Liberdade e Democracia (32 membros) e muito provavelmente dos 28 extremistas “não inscritos” em qualquer grupo.
Em contrapartida, os conservadores do PPE (265 eleitos), que integram o PSD e o CDS portugueses, terão votado massivamente a favor – mesmo se alguns dos seus membros afirmaram que o fizeram sem entusiasmo – , o mesmo acontecendo com os 54 membros do grupo conservador eurocéptico ECR.
Isto significa que Barroso só conseguiu captar 63 votos a favor entre os 185 socialistas – incluindo 6 portugueses e 21 espanhóis que contrariaram a linha oficial do grupo votando a favor – e entre os 84 liberais, dois dos grupos mais críticos do seu primeiro mandato que procurou a todo o custo, nas últimas semanas, conquistar.
Entre os socialistas portugueses, só Ana Gomes anunciou que não votaria a favor, optando pela abstenção, como a esmagadora maioria da bancada parlamentar.
Notícia corrigida às 15h36


