Primeira reacção à publicação de "cartoons" sobre Maomé

Durão Barroso: "Liberdade de expressão é um princípio sagrado" da democracia europeia

10.02.2006 - 08:54 Por Lusa

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Barroso afirmou que nada pode pôr em causa a liberdade de expressão Barroso afirmou que nada pode pôr em causa a liberdade de expressão (Etienne Ansotte/EPA (arquivo))
"A defesa da liberdade de expressão é um principio sagrado" da democracia europeia, que "nada" pode pôr em causa, afirmou ontem à noite, em Washington, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

Na sua primeira reacção pública sobre a violência resultante da publicação de "cartoons" sobre o profeta Maomé, Durão Barroso disse que a Comissão Europeia "compreende" que o caso "tenha ferido as sensibilidades de muitos islâmicos por todo o mundo".

"Mas queremos dizer com clareza absoluta que nada, mas nada, justifica a violência que houve e que nada pode pôr em causa o princípio para nós sagrado que é a defesa da liberdade de expressão", declarou Barroso.

"A liberdade de expressão é um elemento essencial da nossa democracia", frisou o presidente da Comissão Europeia.

"É precisamente esse princípio que permite que algumas vezes haja aquilo que alguns consideram excessos mas que permite também que se possa contestar essa situação por meios pacíficos, pelo debate e pelo diálogo", acrescentou Barroso, que falou aos jornalistas ontem à noite, após uma cerimónia na Universidade de Georgetown, na capital norte-americana, onde recebeu um doutoramento "honoris causa.

As manifestações contra a publicação dos "cartoons" sobre Maomé foram particularmente dramáticas no Afeganistão, com a morte de pelo menos 11 pessoas e várias dezenas de feridos nos últimos dias.

O Governo português tomou uma posição oficial sobre este assunto na passada terça-feira, através de uma declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros.

No comunicado, Freitas do Amaral afirma que "Portugal lamenta e discorda da publicação de desenhos e/ou caricaturas que ofendem as crenças ou a sensibilidade religiosa dos povos muçulmanos" e que "a liberdade de expressão, como aliás todas as liberdades, tem como principal limite o dever de respeitar as liberdades e direitos dos outros".



Declaração do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros sobre a publicação dos "cartoons" sobre Maomé

Portugal lamenta e discorda da publicação de desenhos e/ou caricaturas que ofendem as crenças ou a sensibilidade religiosa dos povos muçulmanos.
A liberdade de expressão, como aliás todas as liberdades, tem como principal limite o dever de respeitar as liberdades e direitos dos outros.
Entre essas outras liberdades e direitos a respeitar está, manifestamente, a liberdade religiosa – que compreende o direito de ter ou não ter religião e, tendo religião, o direito de ver respeitados os símbolos fundamentais da religião que se professa.
Para os católicos esses símbolos são as figuras de Cristo e da sua Mãe, a Virgem Maria.
Para os muçulmanos um dos principais símbolos é a figura do Profeta Maomé.
Todos os que professam essas religiões têm direito a que tais símbolos e figuras sejam respeitados.
A liberdade sem limites não é liberdade, mas licenciosidade.
O que se passou recentemente nesta matéria em alguns países europeus é lamentável porque incita a uma inaceitável “guerra de religiões” – ainda por cima sabendo-se que as três religiões monoteístas (cristã, muçulmana e hebraica) descendem todas do mesmo profeta, Abraão.

Diogo Freitas do Amaral
Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros





Estatísticas

  • 68 leitores
  • 10 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1247442

Comentário + votado

Não entendo...

Só há uma coisa que eu não entendo no meio de toda esta polémica: por que razão é considerado ...

Anónimo

10.02.2006 17:00

X

Mais em Mundo (2 de 11 artigos)

Ontem, o líder político do grupo palestiniano Hamas, Khaled Mechaal, ofereceu-se para mediar o conflito Protestos violentos contra "cartoons" foram coordenados em Dezembro