Durão Barroso desconhece proposta portuguesa para reunião da UE sobre Médio Oriente

24.07.2006 - 19:26 Por Lusa
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou hoje desconhecer a proposta portuguesa para a realização de uma reunião extraordinária dos chefes da diplomacia dos 25 da União Europeia sobre o Médio Oriente, mas considerou "úteis" todos os encontros sobre a crise no Líbanoque possa haver.
"Não conheço essas declarações [do ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado], mas são úteis as reuniões que possa haver. A União Europeia está a trabalhar com muito afinco. Estamos a liderar os esforços internacionais de ajuda, não só ao Líbano, mas também a Chipre e à Faixa de Gaza", afirmou Durão Barroso, no Porto, após uma visita à Casa da Música.
Porém, o presidente da Comissão Europeia considerou que a desejada intervenção internacional no conflito entre Israel e a milícia xiita libanesa Hezbollah "é um esforço que ultrapassa a UE".
"Não faz sentido manter aquela guerra. As partes têm de se entender. É necessário encontrar uma solução", afirmou Durão Barroso, apelando à participação dos Estados Unidos numa força internacional que se desloque para o sul do Líbano, dado os norte-americanos terem "uma grande importância naquela região".
Luís Amado pediu hoje, em carta, à presidência finlandesa da União Europeia (UE) uma reunião extraordinária dos chefes da diplomacia dos 25 para debater a situação no Médio Oriente.
"Esta proposta do Governo português insere-se na sua vontade de ver a UE activamente envolvida na solução deste conflito falando e agindo a uma só voz", lê-se num comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.
O Governo português justificou o pedido de uma reunião da UE com "os rápidos desenvolvimentos político-diplomáticos, o prolongamento dos confrontos militares e a deterioração da situação humanitária".
Fonte da presidência finlandesa da UE respondeu que a reunião proposta por Portugal depende dos resultados do encontro do Grupo do Líbano, a realizar quarta-feira em Roma, Itália.
Segundo a mesma fonte, Helsínquia já tem conhecimento do pedido de Luís Amado, e não afasta a possibilidade de convocar os ministros, mas a decisão está dependente das conclusões da conferência internacional do Grupo do Líbano, constituído pela França, Reino Unido, Itália, UE, Estados Unidos, Egipto e Banco Mundial, que pretende encontrar uma solução para o conflito.

