Durão Barroso acusa alguns Estados membros de prejudicarem a causa europeia

24.03.2007 - 12:43 Por Lusa
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, acusou numa entrevista a um jornal alemão alguns Estados membros da União Europeia de prejudicarem a causa da Europa, transformando Bruxelas no bode expiatório de medidas impopulares.
"Alguns governos da União Europeia fazem de Bruxelas o bode expiatório de medidas impopulares, o que é politica e intelectualmente hipócrita e prejudica a causa europeia", afirmou o ex-chefe de governo português, em declarações a publicar na edição de amanhã do jornal alemão "Welt am Sonntag".
Durão Barroso lembra que as decisões que a Comissão Europeia põe em prática "são resultado de um processo democrático em que os Estados membros comparticipam", e estes também aprovam as directivas comunitárias.
"Não é possível que Bruxelas seja responsabilizada pelas más directivas e que os políticos nacionais reclamem para si o mérito das boas directivas", lamentou o presidente da Comissão Europeia.
Na mesma entrevista, Durão Barroso pronunciou-se ainda contra a fixação das fronteiras da União Europeia, lembrando que, por exemplo, foi prometida aos Estados dos Balcãs Ocidentais a adesão à União, logo que cumpram os critérios necessários.
"As futuras gerações é que deverão decidir, um dia, se a União Europeia deve ser ainda maior ou não", explicou o político português.
A pretexto das comemorações do cinquentenário da Comunidade Europeia, hoje e amanhã, Durão Barroso advertiu ainda contra a "sobrevalorização" da Declaração de Berlim, a adoptar pelos 27 Estados membros.
Considerou, no entanto, que "a declaração é uma importante ocasião para reflectirmos sobre projectos comuns e para nos lembrarmos do que se alcançou". "[A ocasião] pode ser um impulso para a Europa e é também um compromisso", acrescentou o presidente da Comissão Europeia.
25 de Abril esteve alicerçado em valores europeus
Em declarações a um outro jornal alemão, o matutino "Tagesspiegel", Durão Barroso considerou a Revolução Portuguesa, a 25 de Abril de 1974, "um dos momentos mais importantes" da sua vida e um exemplo dos valores europeus da liberdade e solidariedade.
"Não podíamos ler os livros que queríamos, ou escrever o que queríamos, toda a actividade política era vigiada pelos órgãos de segurança, mas a revolução mudou tudo isto", afirmou o ex-primeiro-ministro português.
"Depois, graças à solidariedade das democracias ocidentais, e à perspectiva de acolhimento na família europeia, a liberdade impôs-se" não só em Portugal, mas também em Espanha e na Grécia, que em breve se tornariam membros da União Europeia, recorda Durão Barroso.


