Duelo eleitoral entre Schroeder e Merkel provável a 18 de Setembro

24.05.2005 - 11:38 Por Helena Ferro de Gouveia, (PÚBLICO), Frankfurt
O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, apresentará até dia 1 de Julho uma moção de confiança no Bundestag (câmara baixa do parlamento), abrindo desta forma o caminho para a realização de eleições legislativas antecipadas. Tendo em conta o prazo máximo de 81 dias, previstos pela lei fundamental, entre a moção e o escrutínio, assim como as férias escolares, a data mais plausível para as legislativas é a de 18 de Setembro.
Esta calendarização foi explicada aos jornalistas, em Berlim, pelo presidente dos sociais-democratas, Franz Müntefering. Uma vez que existe consenso entre todos os partidos com assento parlamentar é de esperar que o Presidente da República alemão, Horst Koehler, não coloque entraves à dissolução do Bundestag. Ontem à noite os chefe de Estado e de Governo reuniram-se para concertar detalhes relativos a este processo.
Em conferência de imprensa o porta-voz do Governo assegurou que o chanceler, Gerhard Schroeder, que irá ser cabeça de lista pelo SPD, não procederá a nenhuma remodelação governamental neste período e que as eleições serão disputadas com o actual Gabinete Federal. Manter-se-á também o calendário estipulado para a aprovação de diplomas legais.
Os democratas-cristãos, por seu lado, ainda em ambiente festivo, graças à vitória de domingo na Renânia do Norte Vestefália - onde conquistaram mais um milhão de votos do que nas últimas regionais, somando 44, 8 por cento dos sufrágios contra 37, 1 por cento do SPD -, preparam-se para designar a presidente da CDU, Angela Merkel, como candidata.
Formalmente, esta decisão, que tem de ser tomada pelos presidente da CDU e do seu partido gémeo só com expressão na Baviera, CSU, deverá ser anunciada no próximo dia 30, mas restam poucas dúvidas sobre a designação de Merkel. Desta vez a ex-ministra do Ambiente no gabinete de Helmut Kohl conta como o apoio dos barões regionais do partido (em 2002 ele foi concedido a Edmund Stoiber, presidente da CSU). "A nossa candidata é Angela Merkel", garantia ontem Roland Koch, ministro-presidente de Hessen. "Não conheço nenhum democrata-cristão que tenha uma opinião diferente."
"Merkel tem uma hipótese muito credível de bater Schroeder", considerou o politólogo Karl-Rudolf Korte da Universidade de Duisburg. "Os eleitores são mobilizados por receios relativos ao desemprego e perda de rendimentos. É o ambiente típico para uma mudança de governo." As sondagens mais recentes sublinham este sentimento de vontade de mudança. Segundo um inquérito de opinião efectuado para o primeiro canal televisivo alemão, ARD, 46 por cento dos inqueridos afirmaram ter intenção de votar na CDU/CSU contra 29 por cento que opta pelo SPD.
O balanço económico de sete anos de Governo Schroeder-Fischer (o ministro dos Negócios Estrangeiros, Joschka Fischer, encabeçará a Lista dos Verdes) é argumento favorável à coligação pré-eleitoral entre democratas-cristãos e liberais do FDP. A economia alemã, a maior da União Europeia, será também aquela que se situará na cauda do crescimento económico este ano. O desemprego, que Schroeder prometeu reduzir (e deixar-se medir por esta redução), aumentou em 1 milhão desde que o social-democrata tomou posse em 1998, atingindo 12 por cento.
Não obstante estes números e a erosão causada por sete anos de executivo SPD e Verdes estão confiantes num terceiro mandato. "O nosso objectivo é tornar claro que as reformas são necessárias, mas que para que elas se realizem o chanceler precisa de apoio", explicou na ZDF Klaus Uwe Benneter, secretário-geral do SPD. "Mas temos que mostrar também que o que está em causa é o aspecto social da economia de mercado. Este Outono o debate será entre os apoiantes do radicalismo de mercado e aqueles que defendem a protecção dos trabalhadores contra os despedimentos e a manutenção da co-gestão."


