Dominique de Villepin foi nomeado hoje primeiro-ministro de França pelo Presidente Jacques Chirac, em substituição de Jean-Pierre Raffarin.
O chefe do Governo cessante, Jean-Pierre Raffarin, apresentou a sua demissão ao chefe de Estado francês esta manhã, dois dias depois da vitória do "não" no referendo ao Tratado Constitucional Europeu.
O "não" reuniu 54,87 por cento dos votos - num referendo que registou 30 por cento de abstenção -, mas em algumas zonas chegou a alcançar 80 por cento (ainda que em Paris o "sim" tivesse ganho, com 66,5 por cento).
Para o Governo francês, esta foi a mais séria derrota em 15 meses de popularidade descendente, depois dos problemas resultantes das derrotas nas eleições autárquicas e europeias de 2004.
O nome de Dominique de Villepin aparecia em segundo lugar na corrida ao cargo. De acordo com sondagens divulgadas ontem, Villepin recolhia 18 por cento das preferências, a seguir a Nicolas Sarkozy, presidente do partido maioritário UMP (União para um Movimento Popular), que recolhia 24 por cento das preferências na sondagem da TNS-Sofres.
Dominique de Villepin, de 51 anos, assumia as funções de ministro do Interior e dos Negócios Estrangeiros no actual Executivo. Diplomata de carreira, Villepin foi também secretário-geral da Presidência da República entre 1995 e 2002, sendo um dos mais próximos colaboradores de Chirac. Em Março de 2003, em plena guerra no Iraque, defendeu na ONU a oposição francesa à intervenção liderada pelos Estados Unidos.
Nascido a 14 de Novembro de 1953 em Rabat (Marrocos), Dominique de Villepin passou toda a sua juventude no estrangeiro (América Latina, Estados Unidos, Itália) antes de iniciar os seus estudos em Paris. Licenciado em Letras e em Direito, tem igualmente formação em Estudos Políticos e cursou a Escola Nacional de Administração entre 1978 e 1980, onde privou com a elite francesa.
Depois dos estudos fez o serviço militar na Marinha, no porta-aviões "Clemenceau", e ingressou mais tarde no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Conselheiro para o Médio Oriente entre 1984 e 1987, dirigiu até 1989 o serviço de informação da embaixada de França em Washington. Casado e pai de três filhos, Villepin é um apaixonado por desporto, história e literatura.


