O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou que cerca de dois mil soldados vão ficar a patrulhar “ostensivamente” as favelas do Complexo do Alemão e de Vila Cruzeiro, cujo controlo foi obtido pelas autoridades na última semana na vaga de combate aos narcotraficantes.
Cabral obteve já o acordo da Presidente eleita Dilma Rousseff, depois de uma reunião ontem à noite de mais de quatro horas, e o pedido oficial será feito ainda hoje ao Ministério da Defesa. O objectivo é que aquele contingente de dois mil militares de “forças de paz” mantenha o controlo das duas favelas até à chegada da chamada Unidade de Polícia Pacificador (UPP) às duas comunidades, prevista para ocorrer o mais tardar em Julho do próximo ano.
“Aquelas forças de paz têm um papel importante porque as UPP possuem uma filosofia de treino de novos polícias no complexo e aquele contingente, em patrulhamento ostensivo, vai encontrar uma muito complicada presença de crime e uma população com enormes esperanças que lhes dêem todas as garantias [de segurança]”, explicou o governador.
Cabral regozijou-se com o facto de Rousseff ter considerado as ocupações policiais e militares das duas favelas “positivas” e avaliado que as UPP são “um novo marco” na política de segurança do Rio de Janeiro e do Brasil.
Entretanto as autoridades avaliaram que foram confiscados droga e veículos aos traficantes no valor de mais de 50 milhões de reais (mais de 22 milhões de euros), apenas na operação deste fim-de-semana no complexo do Alemão – para onde muitos criminosos fugiram após a tomada de Vila Cruzeiro dias antes.
Aquele montante resulta da apreensão de 42 toneladas de canabis, 300 quilos de cocaína, centenas de motos e 15 automóveis, além de centenas de espingardas, pistolas, dinheiro e imóveis.
“Estamos também a atingir o centro nervoso dos traficantes: a sua economia. E isso é muito melhor, mais eficiente”, congratulou-se o director do Departamento de Polícia Especializada da Polícia Federal, Ronaldo Oliveira, citado pelo Globo online.
A polícia e os militares no terreno continuam as buscas por mais de 30 mil casas na favela, admitindo que muitas mais drogas, armas e traficantes deverão ser encontrados. Até à noite de ontem tinham sido detidas 13 pessoas no Alemão, incluindo uma mulher.



