Dois acusados pelo genocídio no Ruanda foram condenados a prisão perpétua

21.12.2011 - 17:18 Por Isabel Gorjão Santos, com agências
O Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, das Nações Unidas, condenou nesta quarta-feira a prisão perpétua dois acusados pelo massacre de 1994 em que morreram cerca de 800 mil pessoas, grande parte da minoria tutsi.
Matthieu Ngirumpatse e Edouard Karemera foram considerados culpados pelo crime de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade. O tribunal da ONU condenou-os por unanimidade a prisão perpétua e considerou provado o seu envolvimento no massacre ocorrido em 1994, durante cerca de 100 dias, em que foram mortos sobretudo membros da minoria tutsi mas também moderados da maioria hutu, no poder.
Os dois acusados eram membros do Movimento Republicano Nacional para a Democracia (MRND), partido do ex-presidente Juvenal Habyarimana, que entretanto foi extinto. Os três juízes do tribunal da ONU consideraram que foi levada a cabo “uma campanha criminosa concertada” para exterminar a minoria tutsi. E foi também considerado provado que, a partir de 11 de Abril de 1994 e nos dias que se seguiram, foram distribuídas armas no Hotel dos Diplomatas da capital do Ruanda, Kigali, a membros do Interahamwe, o grupo de jovens de MRND, isto com o consentimento de Ngirumpatse, sublinhou a AFP.
“Nesta etapa do genocídio, era previsível que essas armas fossem usadas para matar os tutsi”, lê-se na sentença. “A partir dessa data começou uma campanha criminosa, com a participação do governo interino, de dirigentes políticos e responsáveis dos Interahamwe, de homens de negócios influentes”, sublinharam os juízes. Os massacres prosseguiram até meados de Julho de 1994.
Na sentença é também referido o facto de terem sido distribuídas armas tradicionais, como facas do mato e bastões, as quais não se destinavam a enfrentar os rebeldes da Frente Patriótica Ruandesa (hoje no poder) que combatiam os militares fortemente armados, mas sim a perseguir e exterminar os tutsis. Os juízes sublinharam ainda que o governo interino nunca apelou à população para que não perseguisse civis tutsi desarmados.
Ngirumpatse, hoje com 72 anos, e Karemera, de 60, foram também responsabilizados pelos raptos e violações de mulheres e raparigas tutsi, que o tribunal considerou “consequência da campanha criminosa” de que foram acusados.


