Discurso de Obama: Novo Presidente pede uma “nova era de responsabilidade”

20.01.2009 - 17:26 Por Maria João Guimarães
Barack Obama falou das dificuldades que a América enfrenta, e de como o carácter da nação, dos americanos, é essencial para enfrentar estes desafios. Obama falou do "preço e da promessa da cidadania". Falou de um "momento que vai definir uma geração". De "uma nova era de responsabilidade" – assente em "valores antigos".
Mas foi optimista: "Hoje os desafios que nos esperam são muitos. Não vão ser resolvidos de modo fácil, nem rápido", avisou. "Mas quero que saibam isto, América - vão ser resolvidos", disse, recebendo os primeiros aplausos entusiasmados. Obama tinha sido recebido por uma multidão que passou dos gritos à chegada do quase-novo-Presidente ao transe durante a evocação do pastor Rick Warren e a várias erupções durante o discurso de Obama.
O novo Presidente enfatizou a ideia de cidadania e de que os americanos podem conseguir o que quiserem – se se mantiverem fiéis a valores antigos."Por mais que o governo possa fazer, e tenha de fazer, são, em última análise, a fé e determinação do povo americano a base desta nação", disse, para exemplificar: "É o altruísmo de trabalhadores que preferem trabalhar menos horas do que ver um amigo perder o emprego que nos faz passar os nossos momentos difíceis. É a coragem do bombeiro de enfrentar uma escada cheia de fumo, mas também a vontade de um pai cuidar de um filho, que no fim de contas, decide o nosso destino", concluiu."Os nossos desafios podem ser novos", disse Obama. Mas "os valores em que o nosso sucesso assenta – trabalho árduo e honestidade, coragem e fair play, lealdade e patriotismo – estas coisas são velhas. Estas coisas são verdadeiras", continuou. "o que temos de fazer é regressar a estas verdades", continuou.
"O que nos é pedido é uma nova era de responsabilidade – um reconhecimento, da parte de cada americano, de que temos deveres perante nós próprios, a nossa nação, o mundo, deveres que não aceitamos relutantemente mas que abraçamos com vontade, firmes no conhecimento de que não há nada que dê mais satisfação ao espírito, tão definidor do nosso carácter, do que devotarmo-nos por inteiro a uma tarefa difícil."
A mais próspera e poderosa nação
"Continuamos a ser a mais próspera, poderosa nação na Terra", assegurou. "Os nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando esta crise começou. As nossas mentes não são menos inventivas, os nossos bens e serviços não são menos necessários do que eram a semana passada, o mês passado ou o ano passado. A nossa capacidade permanece a mesma", sublinhou. E em relação à crise financeira, assegurou ainda que "a questão não é se o mercado é uma força para o bem ou para o mal".
E regressou ao passado para falar do futuro, pontuando o discurso com referências aos pioneiros da nação – "os que correm riscos, os que fazem coisas", para evocar "um Inverno em que nada, a não ser a esperança, podia sobreviver"
América, disse, repetindo palavras de um dos "pais fundadores", Thomas Payne: "em face dos perigos comuns, neste inverno das nossas dificuldades, vamos lembrar-nos destas palavras intemporais: com esperança e virtude, vamos corajosamente enfrentar as correntes geladas, e aguentar as tempestades que possam vir. Vamos que os filhos dos nossos filhos digam que quando fomos testados nos recusámos a deixar que a viagem acabasse, e que não virámos as costas, e que com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus, avançámos essa grande dádiva de liberdade e entregámo-la, em segurança, para as gerações futuras."
Obama repetiu ainda o que representou durante a campanha, a ideia de uma nova maneira de fazer política. "As discussões políticas que nos consumiram durante tanto tempo já não são aplicáveis." "O tempo de protegermos interesses mesquinhos acabou. A partir de hoje, temos de nos levantar, sacudir o pó, e começar o trabalho de reconstruir a América."
Mais poder se for mais bem usado



