O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmou hoje em Bruxelas que o acordo sobre o quadro orçamental 2007-2013 alcançado no Conselho Europeu vai "permitir à Europa avançar".
"Este é um acordo que permite à Europa avançar", disse Blair em conferência de imprensa, logo após o anúncio do acordo sobre o orçamento da União Europeia para os próximos anos, afirmando que ele é "essencial" para financiar o alargamento da União Europeia aos 10 novos países.
"Gostaria de o ver como um investimento", cujo retorno será "imenso", disse o primeiro-ministro britânico, país que exerce a presidência rotativa da União Europeia.
"Permite-nos desenvolver uma abordagem diferente no futuro para conseguir a reforma do orçamento, de modo a que ele responda melhor às nossas necessidades", acrescentou.
Esta cláusula, de que os britânicos fizeram cavalo de batalha, prevê "uma revisão exaustiva e alargada" do conjunto do orçamento a efectuar no período de 2008-2009, que vai incluir, nomeadamente, as despesas da Política Agrícola Comum (PAC), a que França se opunha.
Interrogado pelos jornalistas britânicos sobre as reduções no cheque britânico, o mecanismo de reembolso através do qual o Reino Unido recupera parte das verbas que destina aos cofres comunitários, Blair disse que na essência se mantém.
"O reembolso mantém intacto em todas as despesas, excepto as ligadas ao desenvolvimento económico dos novos Estados-membros. Pagamos a nossa contribuição de forma equitativa", disse.
Tony Blair acentuou, por outro lado, que a "França, pela primeira vez, está em igualdade com o Reino Unido" em termos de contribuições líquidas.
O Presidente francês, Jacques Chirac, saudou o acordo alcançado de madrugada, afirmando que se trata de "um bom acordo para a Europa, que assim se vê dotada dos meios necessários para financiar as suas ambições".
"Responde às exigências que nos pareciam indispensáveis", nomeadamente em termos de solidariedade e igualdade, sublinhou o Presidente francês.
Jacques Chirac considerou também que, após o fracasso da cimeira europeia de Junho sobre o orçamento para o período 2007-2013, "a Europa retoma a sua marcha em frente", sublinhando que, "mais uma vez, a crise foi ultrapassada".
Por seu lado, a chanceler alemã Angela Merkel considerou que se conseguiu "um bom acordo para o futuro da Europa".
"A Europa está hoje numa situação em que um grande obstáculo foi retirado" do seu caminho, comentou.
A chanceler alemã sublinhou o facto de o acordo ter sido conseguido "com base numa cooperação amigável com a França".
A Alemanha "desempenhou um papel importante no acordo", mas "isso foi sempre assim", tendo em conta o lugar da Alemanha na Europa", acrescentou.


