Dirigente da União Africana diz que é tempo de europeus e africanos enterrarem passado colonial

08.12.2007 - 14:54 Por Lusa
O presidente da Comissão da União Africana (UA) afirmou hoje que a cimeira deste fim-de-semana em Lisboa é a “altura propícia” para que africanos, mas também europeus, "enterrem o seu passado colonial".
Discursando na sessão de abertura da II Cimeira Europa-África, Omar Konaré afirmou que “é tempo de África enterrar o seu passado colonial” e alterar o seu actual modelo de desenvolvimento, baseado na “lógica da economia de contabilidade” e na exploração “recursos naturais brutos”.
Nos últimos anos, o continente africano tem registado um “crescimento assinalável mas que é ainda muito frágil", lembrou o responsável, referindo-se ainda às guerras que devastam Darfur (Sudão), Somália, ou República Democrática do Congo.
Lembrando o empenho da União Africana no combate à fome, aos diferentes tipos de tráfico e às epidemias que assolam o continente, Konaré sublinhou que cabe, antes de mais, aos países africanos resolver os seus problemas.
"Podemos e devemos voltar as páginas mas não devemos destruí-las. Ninguém poderá resolver os problemas por nós. Temos de participar no jogo, de ser parceiros, mas com regras novas e claras, que vamos construir em conjunto”.
O presidente da Comissão da UA admitiu também a aplicação de uma ideia avançada pelo líder líbio, Muammar Kadhafi, que passa pela constituição de uma unidade política, apelidada de Estados Unidos de África.
"Para a UA, a África é só uma. Não é só a subsaariana, também é magrebina. É de todas as cores", acrescentou, lembrando que os africanos "não pretendem negar as heranças coloniais", embora tenham de assumir, primeiro, a sua "africanidade".
Referindo-se à nova parceira que será adoptada na cimeira, Konaré sublinhou que o relacionamento entre europeus e africanos deve basear-se “em princípios reconhecidos por todos”, “no respeito mútuo” e na “partilha de certo número de regras democráticas”.
"A partilha dos valores de paz, boa governação e da segurança, do respeito pelos direitos humanos. Mas é também preciso um espírito de humildade, solidariedade e confiança para se chegar a acordos justos. Caso contrário, será posta em causa o desenvolvimento", advertiu.
Nesse sentido, acrescentou, é igualmente importante a assinatura de acordos de parceria económica entre os dois continentes “que evitem as negociações de outra época”. “África não será uma nova coutada” para as potências estrangeiras, avisou.
Konaré pediu também uma “profunda reforma nas Nações Unidas”, lembrando que África não tem sequer um representante permanente no Conselho de Segurança.


