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Porter Goss nega uso de tortura em interrogatórios

Director da CIA não desmente existência de prisões secretas

29.11.2005 - 16:53 Por PUBLICO.PT

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Denúncias apontam para a existência de centros de detenção ilegais na Roménia (na foto) e na Polónia Denúncias apontam para a existência de centros de detenção ilegais na Roménia (na foto) e na Polónia (Vadim Ghirda/AP)
O director da CIA, Porter Goss, não desmente a existência de prisões secretas em várias partes do mundo, mas nega que os serviços secretos norte-americanos usem técnicas de tortura nos interrogatórios aos suspeitos de envolvimento em actividades terroristas.

Numa rara entrevista televisiva, à cadeia ABC, Porter é questionado sobre estes presídios, cuja existência foi denunciada, no início deste mês, pelo “The Washington Post”. Sem confirmar directamente a existência das prisões, o director da agência lembra que os EUA estão, desde 2001, envolvidos “numa guerra contra o terrorismo” que está a ser “bastante bem sucedida”.

“Inevitavelmente capturamos alguns terroristas, que inevitavelmente são submetidos a um certo procedimento e isso terá de ser feito de acordo com a lei, respeitando todas as garantias previstas nesse processo”, declarou, recusando-se a entrar em detalhes.

Segundo o “Washington Post”, os EUA terão transferido prisioneiros detidos no presídio militar de Guantánamo (Cuba) para centros de detenção secretos numa dezena de Estados, incluindo em alguns países da Europa de leste, para serem interrogados fora da jurisdição norte-americana.

Mais tarde, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch disse ter dados que apontam para a existência de centros deste género na Polónia e na Roménia – informações negadas pelos dois governos europeus –, tendo listado dezenas de voos secretos alegadamente usados pela CIA para transferir os detidos.

Ainda a este propósito, Porter Goss foi questionado sobre as denúncias relativas ao uso de tortura nos interrogatórios conduzidos por agentes da CIA. “Aquilo que fazemos não se aproxima sequer da tortura em termos de provocar dor ou causar incapacidade”, garantiu.

“Fazemos interrogatórios porque o objectivo da nossa actividade é obter informação. Mas queremos obter informações correctas e queremos ter profissionais a fazer o trabalho de forma correcta, sem usar tortura, porque ela é contraproducente”.

Contudo, quando confrontado com as várias práticas denunciadas por antigos prisioneiros – como sufocação, privação do sono, exposição a baixas temperaturas ou obrigatoriedade de permanecer em pé durante horas – escusou-se a comentar, afirmando que o sigilo que envolve os interrogatórios é essencial para garantir a sua eficácia.

Da mesma forma, quando questionado sobre se a sufocação pode ser entendida como tortura, Goss disse “não saber” se esta prática pode ser qualificada dessa forma. “Não vou comentar técnicas individuais que alguém alegou ou sonhou terem sido usadas. Aquilo que fazemos é profissional, legal, apresenta bons resultados e não é tortura”, insistiu.

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Comentário + votado

Terrorismo & CIA

Sera´ que alguem sabe explicar qual a diferença entre «terrorismo» e «CIA», ou seja, entre o que se ...

Anónimo

29.11.2005 19:43

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