Direcção do Hamas visita Turquia mas não se encontra com o primeiro-ministro

16.02.2006 - 16:20 Por Reuters, PUBLICO.PT
Os líderes do Hamas estão na Turquia, na primeira visita do movimento radical a um país não árabe desde a vitória nas eleições palestinianas, mas não vai encontrar-se com o primeiro-ministro local, Tayyip Erdogan.
"Está fora de questão que o primeiro-ministro se encontre com a delegação do Hamas", afirmou o gabinete de Erdogan, depois de várias fontes terem admitido a realização do encontro, de imediato criticada por dirigentes israelitas e europeus.
A mesma fonte adiantou, no entanto, que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gul, vai participar no encontro da delegação palestiniana, encabeçada pelo líder político do Hamas, Khaled Mashal, e a direcção do partido governamental (AKP, de origem islamista).
Em declarações à televisão nacional, o chefe da diplomacia turca defendeu a decisão de Ancara de receber os dirigentes do Hamas, sublinhando que a vitória dos integristas "não pode parar o processo de paz". "Israelitas e palestinianos devem ser capazes de viver lado a lado. Estamos a tentar fazer o nosso dever", afirmou Gul, quando questionado sobre a oportunidade da visita.
Um país muçulmano mas secular, a Turquia mantém bons laços tanto com Israel como com os palestinianos, não escondendo o desejo de desempenhar um papel mais activo no processo de paz no Médio Oriente.
Recentemente, o próprio Erdogan afirmou que a comunidade internacional não pode negar-se a dialogar com o Hamas, agora com a legitimidade democrática resultante da vitória nas legislativas.
Contudo, a posição de Turquia – país candidato à adesão à União Europeia – contraria a política assumida por Bruxelas, que hoje voltou a excluir a possibilidade de contactos com o Hamas até que seja conhecido o seu programa de Governo.
Reagindo à visita do Hamas, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, defendeu que o Governo turco "deve aproveitar o encontro para enviar uma mensagem clara" ao Hamas, exigindo-lhe "o reconhecimento de Israel, a renúncia à violência e o reconhecimento do actual estado das negociações entre Israel e os palestinianos".
Também a chefe da diplomacia israelita, a quem o seu homólogo turco telefonou esta manhã para a informar da visita, contestou o encontro. Segundo o seu porta-voz, Tzipi Livni manifestou a Gul "as objecções de Israel a encontros com organizações terroristas e avisou que as condições definidas pela comunidade internacional não devem ser sujeitas a negociação".


