O diplomata norte-americano que o Presidente do Equador, Rafael Correa, mandou expulsar de Quito já tinha deixado o país no princípio de Janeiro, afirmaram responsáveis da embaixada. Os Estados Unidos negam ter exercido qualquer pressão para condicionar a escolha de um comandante de uma unidade policial de combate ao narcotráfico, como acusara Correa.
“O sr. Armando Astorga [tem dois dias] para fazer as malas e sair do país. Aqui não aceitamos que ninguém nos trate como uma colónia”, declarou o Presidente no sábado, na sua comunicação radiotelevisiva semanal. “Aqui há soberania e dignidade, guardem o vosso dinheiro sujo!”, disse Correa, chamando ainda “insolente” ao diplomata. Os EUA iriam doar 340 mil dólares ao Equador.
Horas depois, a porta-voz da embaixada norte-americana, Marta Youth, vinha dizer que Astorga – adido para as questões alfandegárias – não tinha sido responsável por qualquer mudança na polícia e que até já tinha deixado o país, uma vez que a sua missão diplomática chegara ao fim no princípio do Janeiro. Um responsável do departamento de Estado adiantou que o embaixador iria discutir com o ministro equatoriano dos Negócios Estrangeiros para “verificar por que foi feito este anúncio”, cita a BBC online.
As relações entre o Equador e os Estados Unidos não são particularmente sensíveis, ao contrário do que acontece com vários outros países sul-americanos. Mas tem havido alguns pontos de tensão, como a recusa de Quito em renovar a licença de uso norte-americano de uma base aérea na sua costa, no âmbito do combate ao tráfico de droga. Correa afirmou então que preferia cortar o seu braço direito a prolongar a autorização, e que os soldados dos EUA estariam autorizados a ficar na base apenas se soldados equatorianos fossem colocados em Miami.



