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Restringir informação confidencial também terá um preço

Diplomacia americana irá sobreviver, mas só depois de pedir "imensas desculpas"

30.11.2010 - 09:20 Por Kathleen Gomes, em Washington

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Hillary Clinton ontem com o MNE turco, Ahmet Davutoglu Hillary Clinton ontem com o MNE turco, Ahmet Davutoglu (Foto: Win McNamee/AFP)
Especialistas em Washington antecipam dias difíceis para as relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a comunidade internacional.

Questionado sobre o impacto que as recentes fugas de informação reveladas pela WikiLeaks terão sobre as relações diplomáticas dos Estados Unidos com outros governos, Ronald Neumann, antigo embaixador americano na Argélia, Bahrein e Afeganistão (2005-2007), sugere uma metáfora: "Isto tem o efeito de uma pedra atirada a um lago, cujas ondas se repercutirão durante muito tempo, em todas as direcções."

Mais delicado do que o facto de as revelações levantarem o véu sobre o que os Estados Unidos pensam do resto do mundo é o facto de exporem conversas privadas e informação trocada entre diplomatas americanos e congéneres estrangeiros de forma franca, sem filtros, consideram os especialistas que o PÚBLICO ouviu em Washington.

"Não acredito que seja uma surpresa para o público russo descobrir que aos olhos dos diplomatas americanos Vladimir Putin é um "alpha dog" [líder da matilha]", diz James Lindsay, do think-tank Council on Foreign Relations, uma autoridade em diplomacia americana, que trabalhou no National Security Council durante a administração Clinton. "Não me parece que os italianos fiquem surpreendidos ou chocados por um diplomata americano achar que o primeiro-ministro Berlusconi gosta de festas. Ou que seja uma surpresa para os eleitores franceses que os diplomatas americanos pensem que o Presidente Sarkozy tem mau feitio e que grita com o seu primeiro-ministro. Tudo isto pode ser titilante mas é barro atirado à parede, não terá um efeito consequente. Todos sabemos que parte do trabalho dos diplomatas é informar as suas capitais sobre tudo o que possam vir a saber. Factos, boatos, bisbilhotices, tudo. O potencial de choque de muitas destas coisas é, para os profissionais, muito baixo."

Mas as relações diplomáticas pessoais passarão a ser mais contidas. "A curto e médio prazo, as entidades oficiais estrangeiras terão grande relutância em ter conversas francas com os seus interlocutores americanos porque acabaram de ser queimadas. E vão reagir da forma que as pessoas reagem quando são traídas."

Lindsay acredita que a diplomacia americana sobreviverá à revelação "desastrosa" da WikiLeaks, mas só "depois de os diplomatas americanos pedirem imensas desculpas". Daniel Hamilton, director da escola de relações internacionais da Johns Hopkins University, em Washington, admitiu anteontem ao PÚBLICO que alguns diplomatas americanos talvez tenham de abandonar os seus postos.

O trabalho diplomático dos Estados Unidos vai ser "mais difícil, mais complicado e menos eficaz", antecipa Ronald Neumann, presidente da Academia Americana de Diplomacia. E irá mudar? "O que é que pode mudar? Continua a ter de falar com as pessoas."

Mas o antigo embaixador nota que, de forma a evitar fugas de informação futuras, os diplomatas americanos tenderão a reportar menos a Washington, "o que não é positivo para os decisores políticos", e provavelmente os seus destinatários serão restringidos, o que quer dizer que "analistas de informação confidencial e outros que necessitam desses dados não terão acesso" a eles.

Partilhar ou controlar?

O New York Times escrevia ontem que a correspondência entre embaixadas americanas e Washington, revelada pela WikiLeaks, denota uma expansão do papel dos diplomatas, com características semelhantes à espionagem. Entre a informação pedida pelo Departamento de Estado aos seus diplomatas contam-se números de cartões de crédito, horários de trabalho e outro tipo de informação pessoal sobre dignitários estrangeiros.

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Cegos

Quando leio certos comentários de que a Wikileaks pode levar à 3ªguerra mundial ou ...

OlhosDeVer

01.12.2010 20:57

X

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