Foi o mais duro confronto entre os dois candidatos à presidência do Brasil: Dilma Rousseff e José Serra elevaram o tom das críticas e das acusações ontem, no penúltimo debate antes das eleições. Mas pela primeira vez, o tema do ambiente esteve em cima da mesa.
Dilma (do PT) e Serra (PSDB) apostaram em temas já conhecidos e recorrentes nesta campanha para “partir para o ataque”, refere a revista “Veja” no seu site. A discussão sobre as privatizações repetiu-se. Serra negou as alegações de que tenciona privatizar a Petrobras e Dilma manteve a acusação; Serra chamou Dilma de mentirosa.
Os dois candidatos levantaram os casos de corrupção que abalaram cada um dos blocos. Serra lembrou a ligação de DilmaRousseff com a ex-ministra Erenice Guerra, obrigada a demitir-se por alegado tráfico de influências e lobby. E a petista mencionou as acusações de que Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, desviou dinheiro para as campanhas do PSDB, segundo revelou a revista “IstoÉ”.
“Vocês inventaram isso”, lançou Serra. “Ela inventa, fábula, porque não tem como me atingir pela rectidão da minha vida pública. Ela fica criando fantasias com o único propósito de enganar as pessoas do ponto de vista eleitoral”.
Os 19 pontos obtidos por Marina Silva, do Partido Verde, na primeira volta obrigaram os dois rivais a incluir as questões ambientais no seu discurso. Ontem à noite, pela primeira vez nos debates que antecedem o escrutínio de domingo, o tema foi discutido, por iniciativa de Dilma: “Eu tenho um compromisso claro com essas metas”, declarou. “A nossa Lei de Mudanças Climáticas é a melhor da América do Sul e a terceira melhor do mundo”, garantiu, por seu lado, Serra, que prometeu “desmatamento zero” na Amazónia.
Para a Reuters, Serra não conseguiu durante o debate disferir um golpe de misericórdia na candidata petista, que continua a liderar as sondagens: 57 por cento contra 43 por cento, de acordo com um estudo Vox Populi publicado ontem. Outros inquéritos apontam no mesmo sentido, depois de algumas semanas difíceis para a candidata escolhida pelo Presidente Lula da Silva para o suceder, em que ambos se aproximaram.
Outra sondagem da mesma empresa mostra que, depois de ter falhado o voto dos evangélicos na primeira volta, Dilma começou a insistir em temas como o aborto e a religião e agora conta com mais simpatizantes religiosos. Mas mais recentemente, a candidata fez algumas alterações na sua estratégia e voltou para a sua zona de conforto: o crescimento económico trazido pelos Governos de Lula.


