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Economia mundial do pós-crise

Diferendo económico por resolver entre Washington e Pequim

18.11.2009 - 08:54 Por Sérgio Aníbal

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EUA e China não conseguiram ontem dar qualquer passo significativo na resolução do conflito económico que tem vindo a agravar-se entre a maior economia do mundo e aquela que mais cresce.

A fixação por Pequim do valor da divisa chinesa a níveis muito baixos (apesar do forte crescimento económico), a escalada do défice público nos EUA e o agravamento por parte de Washington das taxas alfandegárias em alguns produtos vindos da China têm, durante os últimos meses, gerado um grande desconforto entre as autoridades chinesas e norte-americanas, que se esperava poder vir a desanuviar-se durante a visita de Obama à Ásia.

No entanto, apesar da enorme prudência das declarações feitas por Hu Jintao e Barack Obama e das habituais declarações de boa vontade, nenhuma das partes deu mostras públicas de querer ceder na sua posição, ouvindo-se antes apelos recíprocos à acção.

Barack Obama pediu a Hu Jintao para cumprir a promessa de "caminhar no sentido de uma taxa de câmbio mais orientada pelo mercado". "Se tal for feito, com base nas condições económicas, constituirá uma contribuição essencial para o esforço de reequilíbrio global".

A taxa de câmbio do yuan é fixada directamente pelo Governo chinês, que tem vindo a apostar numa ligação directa da sua moeda ao dólar, o que assegura às empresas exportadoras chinesas a manutenção de uma forte competitividade ao nível dos preços. Na China, as próprias autoridades têm vindo a colocar a hipótese de deixarem subir mais o valor da divisa, já que essa seria uma forma de evitar pressões inflacionistas. No entanto, Pequim não quer uma apreciação brusca da divisa e recusa deixar a impressão de que está a agir por pressão dos EUA e da Europa.

Por isso, o Presidente chinês respondeu ao pedido de Obama com um outro apelo. "Nas actuais circunstâncias, os nossos dois países precisam de se opor, de forma cada vez mais forte, a todos os tipos de proteccionismo", afirmou. Na mente do líder asiático estariam certamente as recentes subidas das taxas alfandegárias, decididas pelas autoridades norte-americanas, e que visaram bens onde as empresas chinesas revelam grande capacidade para serem competitivas nos EUA.

O acordo entre americanos e chineses no capítulo económico é considerado uma condição fundamental para encontrar um novo reequilíbrio na economia mundial do pós-crise.

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