Dez mil monges budistas desfilaram hoje em Rangum contra a junta militar na Birmânia, naquele que foi o maior protesto desde o início de uma contestação que eclodiu há cinco semanas por iniciativa da oposição política. A secretária de Estado norte-americana denunciou hoje em Nova Iorque um regime “brutal” e afirma que segue a situação “de perto”.
Cerca de dez mil monges budistas, apoiados por outros tantos civis, manifestaram-se em Rangum, acentuando a pressão sobre os generais no poder. Este é o mais importante desfile desde o início de um movimento de protesto que eclodiu há cinco semanas por iniciativa da oposição política.
Um grupo de 200 pessoas tentou entrar na avenida que leva à casa onde se encontra detida Aung San Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz em prisão domiciliária desde 1990 quando o seu partido ganhou as eleições, mas os polícias armados bloquearam o acesso.
O protesto começou a 19 de Agosto depois de o Governo ter feito subir os preços dos combustíveis, tendo como pano de fundo o descontentamento com a ditadura militar que governa o país.
Ontem, mil monges desfilaram frente à casa de Aung San Suu Kyi, uma marcha autorizada pelas autoridades.
Estados Unidos seguem de perto situação na Birmânia
“Seguimos (a situação) de muito perto e o Presidente (George W. Bush) foi muito claro sobre o que se passa na Birmânia”, disse a secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice, pouco antes do início de um encontro com o seu homólogo chinês, Yang Jiechi.
No início do mês, Bush exortou o regime birmanês a “deixar de intimidar os cidadãos birmaneses que promovem a democracia e os direitos do Homem” e ainda a “libertar todos os prisioneiros políticos, incluindo Aung San Suu Kyi”.
Esta semana, os Estados Unidos e os países europeus deverão pressionar a junta militar na Assembleia-geral da ONU, em Nova Iorque, para que se comprometa com reformas democráticas.
Asean apela à calma na Birmânia
O secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), Ong Keng Yong, apelou hoje à calma na Birmânia. “Espero que as manifestações continuem a ser pacíficas e calmas”, disse, garantindo que os ministros da Asean “farão todos os possíveis” para que a situação continue a não ser violenta.
Em 1997, a Asean aceitou a Birmânia entre os seus membros, esperando através do diálogo encorajar a via da democracia. No entanto, a estratégia fracassou e a organização foi criticada pela sua abordagem demasiado conciliadora em relação à junta militar birmanesa.


