A polícia italiana desferiu hoje um novo golpe na liderança de um dos principais grupos da Camorra, a máfia napolitana: foi capturado Pasquale Russo, irmão do dirigente mafioso detido ontem. Pasquale , 63 anos, estava em fuga desde 1993, acusado de associação criminosa.
Pasquale foi detido na localidade de Irpinia, na região de Campania, e tal como o irmão Salvatore, com quem partilhava a liderança do clã Russo, estava entre os 30 fugitivos mais perigosos do país – em 1993 foi condenado a prisão perpétua por vários homicídios, associação mafiosa e ocultação de cadáver. Com ele estava ainda outro irmão, Carmine, de 47 anos, também incluído na lista dos fugitivos, desde 2007.
A decapitação do clã Russo constitui uma vitória significativa para as autoridades italianas na sua luta contra a Camorra. Na véspera, a captura de Salvatore Russo foi particularmente saudada. O chefe mafioso controlava “totalmente as actividades ilícitas de um vasto território” na região de Nápoles, Sul do país, referiu um comunicado da polícia. Segundo o site do “La Repubblica”, era um dos dez fugitivos mais perigosos do país, na descrição do “La Stampa” integrava a lista dos 30 criminosos mais temidos.
A prisão ocorreu no sábado de manhã em Somma Vesuviana, nos arredores de Nápoles, depois de o chefe mafioso regressar da caça, explicaram os investigadores, em conferência de imprensa. Russo foi encontrado num pequeno esconderijo no interior da casa de uma quinta de criação de frangos e coelhos.
Quando os polícias irromperam nas instalações, a casa pareceu-lhes vazia, mas os agentes acabaram por encontrar o fugitivo depois de derrubarem uma parede que lhes chamou a atenção e que ocultava o esconderijo, segundo o relato da AFP.
Salvatore Russo tinha na sua posse uma pistola-metralhadora Uzi, uma pistola Beretta e uma arma de caça. Nas buscas, a polícia encontrou ainda outra pistola e documentos sobre a organização mafiosa que dirigia com Pasquale.
Segundo a descrição dos media italianos, o chefe de clã não disse uma palavra durante a detenção, mas quando saía das instalações da polícia, para ser levado para a prisão de Poggioreale, pontapeou um jornalista.
Os irmãos Russo, que segundo o “La Stampa” iniciaram a vida criminosa nos anos 1970, reorganizaram a estrutura da Camorra na região no início dos anos 1990, após a detenção, e posterior arrependimento, do chefe mafioso Carmine Alfieri. De acordo com as autoridades, “exerciam uma hegemonia absoluta no seu território”. “É um golpe duríssimo para a Camorra, estamos a fechar o cerco aos super-fugitivos”, comentou ontem o ministro do Interior, Roberto Maroni.
Outra boa notícia para a Justiça italiana foi a identificação do suposto autor do homicídio de Mariano Bacio Tarracino, um suspeito de ligações à máfia napolitana assassinado em Maio, em pleno dia, perante a indiferença de quem assistiu ao crime.
A polícia ainda não tinha conseguido determinar a autoria do homicídio e divulgou há três dias um chocante vídeo, captado por uma câmara de vigilância, para tentar obter informações que levassem à identificação do autor. Foi o que acabou por acontecer. Segundo a imprensa italiana, após a exibição das imagens nas televisões, uma pessoa contactou os investigadores e revelou-lhes a identidade do assassino: será um jovem de 30 anos, com antecedentes penais.


