O Presidente da República timorense, José Ramos-Horta, afirmou hoje na sua tomada de posse que os deslocados são "a primeira preocupação e sério empenhamento" do seu mandato.
O sucessor de Xanana Gusmão na chefia do Estado tomou posse no Parlamento Nacional, perante deputados e convidados, numa cerimónia iniciada pouco depois das 10h00 (02h00 de domingo em Lisboa).
"O sonho da criação de uma sociedade mais desenvolvida e mais justa que os timorenses aspiram há muito tempo foi mais uma vez adiado" com a crise política e militar de há um ano, recordou José Ramos-Horta.
"As formas de convivência pacífica e civilizada, indispensáveis ao êxito deste processo tão difícil e delicado da construção do Estado de Direito Democrático em que todos estamos envolvidos, foram seriamente perturbadas", acrescentou o Presidente da República.
"Muitos timorenses vivem ainda hoje num estado de sofrimento e angústia", sublinhou José Ramos-Horta, que discursou em tétum, português, inglês e bahasa indonésia.
O novo Presidente sublinhou, ao mesmo tempo, que o êxito das eleições presidenciais é um passo importante na resolução da crise e das suas consequências.
"Soubemos dar ao mundo um belo exemplo de que a democracia é o futuro dos povos".
"Sempre acreditámos que, em definitivo, só havia uma resposta para esta crise tão grave e dolorosa: dar a voz ao Povo soberano, para que o Povo se pronunciasse", considerou José Ramos-Horta.
O novo Presidente da República lembrou a "herança muito valiosa" que recebe de Xanana Gusmão, primeiro chefe de Estado eleito de Timor-Leste.
"Prometo honrar e defender esse inestimável legado", afirmou José Ramos-Horta.
"Devemos muito à sua coragem e à firme determinação com que soube proteger a unidade e a independência nacional".
"O Presidente da República é o único órgão de soberania 'unipessoal'. Isto significa que as qualidades pessoais do seu titular podem tornar-se de uma importância decisiva, sobretudo quando uma tempestade se abate inesperadamente sobre a vida de um povo", acrescentou o Presidente.
"Por isso, a latitude muito ampla e a relativa indefinição das atribuições constitucionais do Presidente protegem a sociedade das contingências do mundo e da incerteza do futuro".
José Ramos-Horta classificou Xanana Gusmão como "um Presidente sábio, tolerante, prudente e determinado".
Ao III Governo Constitucional, que tomou posse ontem e que assistiu hoje à posse do Presidente da República, fica como "principal tarefa garantir ao país que as próximas eleições legislativas se desenrolam num clima de paz e liberdade e que o escrutínio se faça com isenção e rigor".
Sobre a estratégia que pretende seguida para o país, José Ramos-Horta enfatizou a importância do investimento em 'know-how' e tecnologia, em medidas ambientais e no reforço do sector da justiça.
O presidente do Parlamento, Francisco Guterres, deu posse ao candidato que o derrotou nas urnas, na segunda volta das presidenciais, a 9 de Maio.
A cerimónia iniciou-se com a leitura do acórdão do Tribunal de Recurso que validou o apuramento dos resultados pela Comissão Nacional de Eleições e a vitória de José Ramos-Horta.
Logo depois da tomada de posse no Parlamento, o Presidente da República participou nas comemorações oficiais do Dia da Independência, em frente ao Palácio do Governo.
Na agenda tinha apenas, para o seu primeiro dia como chefe de Estado, a missa solene na Catedral de Díli, às 16h00 (08h00 em Lisboa).


