Deputado holandês anti-islão impedido de entrar na Grã-Bretanha

11.02.2009 - 10:00 Por PÚBLICO, Reuters
Um deputado holandês, líder de um partido de extrema-direita, afirmou que a Grã-Bretanha lhe recusou entrada no país por o considerar uma ameaça à segurança pública.
Geert Wilders, líder do Partido da Liberdade, enfrenta uma acusação de incitamento ao ódio e à discriminação na justiça holandesa por causa do seu filme Fitna, que liga passagens do Corão a imagens de atentados acusando o islão de promover violência.
Wilders queria ter mostrado no Parlamento britânico o seu curto filme Fitna, (a palavra árabe para divisão ou guerra civil, que se refere especificamente à cisão entre sunitas e xiitas), mas afirmou que as autoridades britânicas impediram a sua entrada no país. O Ministério do Interior britânico não comentou o caso directamente, mas uma porta-voz afirmou que o Governo se opõe a qualquer forma de extremismo. O Governo “irá impedir a entrada de todos os que queriam espalhar extremismo e mensagens de ódio e violência no país”.
Wilders afirmou, pelo seu lado, que as autoridades lhe disseram que as suas “declarações sobre os muçulmanos e as suas crenças, como foram expressas no seu filme Fitna e noutros locais, iriam ameaçar a harmonia comunitária e assim a segurança pública no Reino Unido”.
"Atitude cobarde"
Wilders acusa a Grã-Bretanha de sacrificar a liberdade de expressão. “Isto é algo que se espera da Arábia Saudita mas não da Grã-Bretanha. Acho que esta posição cobarde da Grã-Bretanha é muito má”, concluiu.
A Holanda queixou-se à Grã-Bretanha da exclusão de Wilders, alegando que os deputados holandeses devem poder viajar livremente na União Europeia.
O Governo holandês condenou na altura o filme, em que o realizador aconselha os muçulmanos a rejeitarem – e rasgarem – os “versos cheios de ódio do Corão”. Mas o primeiro-ministro holandês disse que rejeitava a associação entre islão e violência feita no filme de Wilders.
O realizador acabou por divulgar o filme na Internet, em Março do ano passado, depois de várias distribuidoras e salas de cinema recusarem exibi-lo.

