Demitiu-se a ministra búlgara que iria ser comissária europeia da Ajuda Humanitária

19.01.2010 - 10:46 Por PÚBLICO
A ministra búlgara dos Negócios Estrangeiros, Rumiana Jeleva, controversa candidata a um lugar na Comissão Europeia, renunciou hoje às duas funções, tanto em Sófia como em Bruxelas, anunciou a família política conservadora no Parlamento Europeu.
“Soube esta manhã da decisão de Jeleva de se retirar das funções de ministra e de comissária designada” para a pasta da Ajuda Humanitária, anunciou o chefe do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu (PPE, direita).
“Jeleva não suportou que a sua honra e honestidade fossem colocadas em causa e, a título pessoal, compreendo-a muito bem”, acrescentou Joseph Daul.
A Bulgária fizera na semana passada finca-pé na manutenção de Rumiana Jeleva na equipa de Durão Barroso, encarando as críticas à sua incompetência e os pedidos de substituição avançados pelos socialistas e liberais do Parlamento Europeu (PE) como um ataque ao país.
O primeiro-ministro búlgaro, Boïko Borissov, acusara estas duas famílias políticas, que internamente estão na oposição ao seu Governo, de terem "crucificado" a Bulgária. O líder da bancada socialista no PE, Martin Schulz, ripostou no mesmo tom: "O guarda-costas do antigo ditador búlgaro [Todor Jivkov] não tem qualquer direito de nos atacar desta maneira", pois Jeleva "e a sua incompetência encarnam o que representa o Governo do senhor Borissov".
O seu homólogo liberal, Guy Verhofstadt, considerou por seu lado "totalmente inaceitável que um primeiro-ministro ataque desta forma deputados que se limitam a fazer o seu trabalho de examinar os candidatos" à nova Comissão.
Submetida, como os outros comissários, a uma audição parlamentar para averiguar as suas aptidões, Jeleva foi considerada incompetente e desrespeitadora das regras de transparência financeira da UE.
Apesar de manter o apoio a Jeleva, Borissov começara a dar sinais de ter outro candidato na manga para a eventualidade de ter de a substituir, o qual poderá ser o ministro da Defesa, Nikolaï Mladenov. O braço-de-ferro em torno de Jeleva estava a constituir um embaraço para Durão Barroso.


