Defesa antimíssil: Governo checo aceita negociar instalação de radar americano

28.03.2007 - 16:58 Por PUBLICO.PT, Agências
O Governo checo aceitou iniciar negociações com os EUA para a instalação no país de um radar para o sistema de defesa antimíssil norte-americano na Europa. A notícia levou o Presidente russo a reafirmar a sua preocupação com o projecto de Washington.
“O Governo checo deu luz verde ao início das negociações”, afirmou o primeiro-ministro checo, Mirek Topolanek, no final de uma reunião do Conselho de Ministros.
Segundo o responsável, esta decisão não compromete Praga a aceitar a instalação da unidade e sublinhou que as negociações não deverão estar concluídas antes do próximo ano, altura em que o Parlamento será chamado a ratificar um acordo entre as duas capitais.
Em Janeiro, para espanto de Moscovo, o Departamento de Estado norte-americano, anunciou a intenção de instalar uma estação de radar na República Checa e uma bateria de mísseis balísticos na Polónia – dois dos seus principais aliados na região – a fim de completar o seu escudo contra mísseis balísticos de longo alcance.
A ideia foi contestada pela Rússia, desagrada com a instalação de sistemas hostis junto às suas fronteiras, mas Washington garantiu que o sistema, que deverá estar concluído até 2010 ou 2012, tem fins exclusivamente defensivos, destinando-se a proteger a Europa e o território americano de ataques oriundos da Extremo-oriente e Médio Oriente.
Bush disposto a negociar com Moscovo
Antecipando as críticas russas, o Presidente norte-americano, George W. Bush, telefonou ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, mostrando-se disponível para “uma discussão detalhada” sobre o sistema de defesa. De acordo com a Casa Branca, Putin acolheu “com satisfação” a proposta, mas voltou a manifestar-se “preocupado” com o projecto americano.
Vários aliados europeus também se mostraram preocupados com a iniciativa americana, considerando que seria preferível construir um sistema de defesa que incluísse todos os Estados-membros da NATO – uma preocupação que Praga reconhece.
Washington defende-se, argumentando que o sistema protegerá a maioria dos países europeus e será compatível com um eventual projecto que a Aliança Atlântica venha a desenvolver.
Um escudo antimíssil mundial
O novo sistema pretende completar o escudo antimíssil no qual o Pentágono investe há já vários anos. Deste escudo fazem já parte um sistema terrestre nacional (composto por oito baterias de interceptores instalados no Alasca e de outros dois na Califórnia), um sistema orbital (capaz de destruir mísseis de médio alcance, mas que não se encontra ainda operacional devido a problemas técnicos) e um sistema terrestre avançado, instalado fora do país.
É nesta última frente que se inclui as duas unidades a instalar no Leste da Europa, completando um sistema já composto por dois radares existentes nas ilhas Fylingdales (Inglaterra) e Thulé (um território autónomo na Gronelândia).


