Debate com o guião previsto: Rubalcaba ao ataque, Rajoy à defesa

07.11.2011 - 23:24 Por Nuno Ribeiro, em Madrid
O único debate televisivo que opôs os dois candidatos à presidência do Governo espanhol seguiu, esta noite, o guião antecipadamente previsto, marcado pela vantagem que as sondagens unanimemente atribuem aos conservadores do Partido Popular (PP).
O socialista Alfredo Pérez Rubalcaba partiu ao ataque, perante um Mariano Rajoy discreto e à defesa.
“Atribui-me intenções, são insídias”. Por várias vezes, Rajoy respondeu desta forma às críticas e interpelações de Pérez Rubalcaba, sobretudo em domínio da política económica. No frente-a-frente, o líder do PP recorreu, não poucas vezes, à pergunta “Porque não fez antes?”, recordando a Rubalcaba a sua condição de vice-presidente do Executivo de Rodriguez Zapatero. Como se esperava explorou o inevitável ponto fraco da posição do seu oponente. Mas, por duas vezes, o candidato conservador foi mais longe. Num aparente lapso dirigiu-se ao seu opositor como “senhor Rodriguez Pérez Rubalcaba”.
É que se Rajoy mediu as palavras, num tom centrista que evite a mobilização do eleitorado da esquerda, não evitou a oportunidade de recordar a gestão de sete anos do Executivo de Zapatero e dos socialistas. Igual a si mesmo, o dirigente “popular” leu de mais e polemizou de menos. O que lhe convinha. Retirou força à sua presença televisiva, mas refugiou-se na suja capacidade de oratória, mais parlamentar que de debate. Não foi claro quanto às implicações de algumas das suas opções económicas – saúde, educação e apoios aos desempregados –, mas foi letal na contra-ofensiva sobre as pensões sociais.”Quem as congelaram foram os senhores”, disse.
A ofensiva de Rubalcaba permitiu-lhe acutilância, soltura e um tom agressivo que, contudo, foi moderando. Com um óbice que, no entanto, tentou corrigir: dirigiu-se a Mariano Rajoy como se este já fosse presidente do Governo, dando implicitamente como certa a sua vitória nas eleições de 20 de Novembro.
Hábil, o candidato socialista fez o seu exame ao programa eleitoral de Rajoy. O que terá surpreendido o dirigente conservador. Para evidenciar o que classifica como perigos e, deste modo, tentar a mobilização da esquerda. Saiu vivo de um debate para o qual partia em clara desvantagem. O que surpreende.
Por momentos existiu tensão: quando Mariano Rajoy chamou mentiroso a Pérez Rubalcaba. Este respondeu-lhe: “Agora quem mente é o senhor”. A questão da ETA mereceu, apenas, um comentário final, no qual os dois anunciaram vontade de colaboração e apelaram à continuação da unidade contra o terrorismo, “seja em que posição for que nos encontremos amanhã”. Ou seja, no poder ou na oposição.


