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Exército sudanês bloqueia avaliação humanitária

Darfur: responsável pela assistência humanitária da ONU impedido de visitar campo de deslocados

24.03.2007 - 18:10 Por AFP, PUBLICO.PT

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A ONU estimou em dois milhões o número de deslocados na região do Darfur em 1 de Fevereiro A ONU estimou em dois milhões o número de deslocados na região do Darfur em 1 de Fevereiro (Michael Kamber/Reuters)
O novo responsável adjunto para os Assuntos Humanitários das Nações Unidas foi hoje impedido pelo Exército sudanês de visitar um campo de deslocados no Darfur, naquela que seria a primeira intervenção de John Holmes na região devastada por uma guerra entre as forças do Governo islâmico de Cartum e grupos rebeldes.

“Após uma reunião com as organizações não governamentais [ONG] em Kutum [norte do Darfur], a comitiva de Holmes, que pretendia ir ao campo de deslocados próximo de Kassab, foi bloqueada por uma barreira do Exército sudanês apesar das autorizações obtidas junto das autoridades e dos serviços de segurança”, indicou à AFP Dawn Elizabeth Blalock, porta-voz do gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários.

Blalock, que acompanha Holmes no Sudão, indicou que o responsável da ONU se manifestou “frustrado e irritado com a interdição” e compreensivo quanto “às dificuldades que as ONG encontram” no seu trabalho no Darfur. Segundo a porta-voz, Holmes pretende levar este assunto até aos altos responsáveis sudaneses.

O novo secretário-geral adjunto para os Assuntos Humanitários e coordenador dos socorros de emergência das Nações Unidas chegou na última quarta-feira a Cartum para uma missão de avaliação de uma semana. O diplomata britânico, que sucedeu no cargo ao norueguês Jan Egeland, encontrou-se em Cartum com responsáveis sudaneses antes de se deslocar até ao Darfur, região do oeste do Sudão em guerra civil desde 2003. Do Governo de Cartum, Holmes recebeu garantias do ministro dos Negócios Estrangeiros, Lam Akol, que o Sudão está empenhado em facilitar os trabalhos das equipas humanitárias no Darfur.

ONG denunciam entraves à ajuda humanitária

A ONU e as ONG têm denunciado com regularidade as limitações à sua missão humanitária no Darfur, acusando as forças governamentais e os grupos rebeldes de impedirem o seu trabalho.

No seu último relatório, publicado este mês, sobre a situação no Darfur, o gabinete da ONU para a Coordenação dos Assuntos Humanitários estimou em dois milhões o número de deslocados na região em 1 de Fevereiro deste ano. Esta é estimativa mais precisa alguma vez avançada pelas Nações Unidas sobre a situação dos deslocados no Darfur, onde a guerra já terá provocado perto de 200 mil mortos.

Os combates, iniciados em Fevereiro de 2003, opõem grupos rebeldes (que dizem lutar pelos direitos da população negra local) ao Governo islâmico de Cartum. Em resposta à insurreição, o Exército armou as tribos nómadas locais, há anos em conflito com os agricultores negros da região e agora responsabilizadas por ataques indiscriminados contra várias aldeias. Estes ataques levaram vários milhares de pessoas a procurar refúgio, nomeadamente no vizinho Chade e na República Centro Africana.

Segundo a missão da ONU no Sudão, os campos de deslocados no Darfur já atingiram a capacidade máxima de ocupação, mas todos os dias chegam novas famílias em busca de apoio. Números da ONU indicam que em Fevereiro 30 mil pessoas abandonaram as suas casas e procuram ajuda nos campos de apoio humanitário.

O incidente com John Holmes surge no início da nova missão dos enviados da ONU e da União Africana, Jan Eliasson e Salim Ahmed Salem, respectivamente, para tentar encontrar uma solução política para o Darfur. Os dois enviados encontraram-se hoje com o Presidente Omar el-Béchir. No final do encontro, afirmaram-se optimistas quanto ao relançamento do diálogo entre o Governo e os rebeldes não signatários do acordo de paz para o Darfur.

Após mais de três anos de conflito, o Governo sudanês e a principal facção do Exército de Libertação do Sudão (SLA) assinaram em Maio do ano passado um acordo de paz que previa o fim da violência na região, o desarmamento das milícias árabes, a integração dos rebeldes nas Forças Armadas e a constituição de uma força de manutenção de paz. Mas o documento não chegou a ser ratificado pela facção minoritária do SLA e pelo Movimento para a Justiça e Igualdade, minando as hipóteses de concretização da paz.

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Comentário + votado

Este é um genocidio pior que o apartheid

Mas como o ocidente não pode ser culpabilizado os bonzinhos da treta nem piam sobre este assunto.

Anónimo

24.03.2007 18:32

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