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Repressão em Havana

Damas de Branco metidas à força em autocarros da polícia cubana

17.03.2010 - 18:55 Por PÚBLICO

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As mulheres foram arrastadas para os autocarros As mulheres foram arrastadas para os autocarros (Desmond Boylan/Reuters)
Cerca de 30 Damas de Branco, grupo que reúne mães e mulheres de presos políticos cubanos, foram detidas pela polícia quando efectuavam um desfile no bairro de Párraga, em Havana, e metidas à força em dois autocarros.

As mulheres seguiam por aquela zona da cidade quando foram interceptadas por três centenas de partidários do regime e metidas à força nos autocarros por mulheres-polícias, relatou a AFP.

“Atiraram-nas ao chão, levam-nas arrastadas, dando-lhes golpes. São uns assassinos”, relatou em directo, na Radio Martí, a jornalista independente Noemí Sánchez Infante, que descreveu, por meio de gritos, como é que os defensores do regime castrista estavam a atacar as Damas de Branco.

Elas tinham acabado de sair de uma missa na paróquia de Santa Bárbara, no âmbito de uma semana de manifestações diárias a assinalar o sétimo aniversário da “Primavera Negra”, em que foram feitas 75 detenções. À sua frente estava Reina Luisa Tamayo, mãe de Orlando Zapata, preso político que morreu no dia 23 de Fevereiro, depois de dois meses e meio em greve da fome.

"Estamos numa manifestação pacífica e não vamos subir para um autocarro do Governo que mantém presos os nossos familiares”, disse Laura Pollán, líder do grupo, pouco antes de ser obrigada a subir para a viatura.

Tal como na véspera, os partidários do regime que governa Havana desde 1959 procuraram interceptar as manifestações das Damas de Branco, que hoje tinham iniciado a jornada com a ida à igreja e depois tencionavam visitar o dissidente Orlando Fundora, um dos detidos de 2003, que entretanto saiu em liberdade por estar muito doente.

"Temos de as fazer subir à força. É isso que merecem, pois são umas provocadoras”, disse Margarita Rodríguez, dona de casa que participou na contramanifestação castrista.

No dia 21 de Abril de 2008 a polícia cubana actuara de igual modo para desmantelar uma concentração das Damas de Branco num parque próximo da Praça da Revolução, lugar emblemático da capital.

Nessa altura, as mulheres foram conduzidas directamente a suas casas pela polícia.

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JN-Amadora

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