As Damas de Branco, como são conhecidas as mulheres e mães de dissidentes cubanos detidos que têm protestado para exigir a sua libertação, foram ontem impedidas de se manifestar em Havana por um grupo de apoiantes do regime castrista.
As mulheres eram apenas seis, mas foram rodeadas de um grupo que lhes gritou slogans pró-governo e as forçou a sair da rua e ficar num parque. Imagens mostram as mulheres a ouvir gritos do grupo pró-governo e a serem empurradas para fora da rua por agentes da segurança cubana, num confronto que, segundo a BBC, durou cerca de sete horas.
As Damas de Branco têm saído à rua todos os domingos para exigir a libertação de maridos e filhos, que foram detidos numa vaga de prisões de dissidentes de 2003. Mas já no domingo passado tinham sido impedidas de levar a cabo o seu protesto, diz a agência Reuters – as autoridades exigiram uma autorização para que as manifestantes pudessem sair à rua, no que parece uma determinação de acabar com estas manifestações, os únicos protestos públicos permitidos pelo regime desde o início dos anos 1960.
Enquanto isso, os cubanos votaram ontem em eleições municipais apresentadas como prova da democracia do regime de partido único. Os eleitores escolhem delegados para assembleias locais por todo o país. Apesar de os principais líderes do país não serem escolhidos por voto popular, o vice-presidente cubano elogiou estas eleições como um exemplo invejável de democracia em Cuba: “Em nenhuma outra parte do mundo há tanta participação nas eleições como em Cuba”, afirmou Esteban Lazo, citado pela Reuters. “Os delegados são escolhidos pelos seus, que nomeiam os melhores e mais capazes”, afirmou depois de votar. Os críticos do regime dizem que a afluência é alta – seria na ordem dos 95 por cento – porque os cubanos têm de votar ou enfrentarão problemas com as autoridades locais.
As televisões locais mostraram o Presidente, Raul Castro, a votar em Havana, mas não o seu irmão e antigo líder Fidel, que não é visto em público desde Julho de 2006.



