O Dalai Lama está “estável”, sem que o seu estado de saúde inspire “inquetação”, indicaram hoje o seu porta-voz e o hospital indiano de Bombaim onde o líder espiritual dos tibetanos deu ontem entrada em consequência de um “mal-estar abdominal” e de um “esgotamento”.
“Ele está estável, não há nenhuma inquietação”, declarou à AFP Mohan Rajan, o porta-voz da clínica privada Lilavati na capital económica da Índia.
“Sua Santidade sofre de um mal-estar abdominal”, precisou à AFP o secretário particular do Dalai Lama, Tenzin Taklha, a partir de Dharamsala, uma localidade dos Himalaias, no norte da Índia, onde o Dalai Lama vive em exílio desde 1959.
“Não está nos cuidados intensivos, mas sim num quarto privado”, insistiu Taklha.
O Dalai Lama, submetido a uma série de exames, está hospitalizado desde ontem.
“Tudo aquilo de que precisa é de repouso”, indica ainda um comunicado publicado pelos seus serviços.
Entretanto, dezenas de monges e de freiras tibetanas reuniram-se junto ao templo principal de Dharamsala para uma oração conjunta.
“Quando ficam a saber este tipo de novidades, todos os tibetanos ficam preocupados. É uma fonte de inquietação para o futuro do Tibete”, indicou aos media Tenzin Tsundue, poeta e militante da causa tibetana.
O Dalai Lama, de 73 anos, tinha anulado na quarta-feira todos seus compromissos para as próximas três semanas devido a um “esgotamento”.
Em 2002, o laureado com o Prémio Nobel da Paz em 1989 já tinha sido hospitalizado em Bombaim devido a dores de estômago que lhe foram tratadas com antibióticos.
O Dalai Lama deveria conduzir amanhã um dia de jejum simbólico a nível mundial para manter os olhares do mundo focados na causa tibetana, depois dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Tendo regressado a Dharamsala no dia 23 de Agosto, o Dalai Lama deveria agora deslocar-se até ao México e à República Dominicana. Todas essas viagens e “todos esses encontros marcados para as próximas semanas foram anulados”, fizeram saber os seus serviços.
Considerado pelo seu povo como o último combatente contra a política da China em relação ao Tibete, o Dalai Lama é considerado um inimigo por Pequim, que o acusa de levar a cabo actividades separatistas sob a aparência de religião.
O chefe religioso, que é encarado como um dirigente político pragmático, renunciou há muito tempo à independência do Tibete, optando por uma diplomacia baseada numa via mais moderna, que consiste em reclamar uma larga “autonomia cultural” para o seu país.



