Cruz Vermelha critica recusa dos EUA em autorizar visita a prisões secretas 
12.05.2006 - 18:53 Por AP
O chefe da Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) criticou hoje os EUA pela recusa em autorizar os delegados da organização a visitar as pessoas detidas secretamente ao abrigo da guerra contra o terrorismo.
Numa crítica pouco habitual para a organização, que actua com base no princípio de neutralidade, Jakob Kellenberger lamentou a recusa dos responsáveis máximos da defesa e diplomacia norte-americana em atender ao pedido de visita.
"Por mais legítima que seja a base da detenção, ninguém tem o direito de esconder a localização de uma pessoa ou negar que ela está detida", afirmou o responsável, após encontros com Donald Rumsfeld e Condoleezza Rice.
O CICV é a organização designada pela Convenção de Genebra para visitar prisioneiros de guerra.
Apesar de não terem concedido este estatuto aos suspeitos detidos no âmbito da guerra contra o terrorismo, os EUA autorizaram a organização a visitar a prisão de Guantánamo e os centros de detenção criados no Afeganistão e no Iraque.
Há vários meses que o CICV pede também para visitar as prisões secretas – cuja existência Washington não reconhece oficialmente – garantindo que, tal como é sua obrigação, não nada revelará sobre estas instalações.
Kellenberger, que se deslocou a Washington para tentar convencer os responsáveis norte-americanos, lamentou que a Administração norte-americana "nada tenha feito para garantir o acesso do CICV às pessoas detidas em locais secretos".
A Administração norte-americana não respondeu publicamente à pretensão do CICV, mas numa declaração de Dezembro do ano passado, Adam Ereli, porta-voz do Departamento de Estado, admitia que seria negado acesso "a alguns detidos".
Apesar da recusa, Kellenberger garantiu que a Cruz Vermelha vai continuar – "com carácter prioritário" – os esforços para conseguir ter acesso aos detidos.

