Crise financeira: Zapatero descontente por Bush deixar Espanha fora da cimeira

22.10.2008 - 21:09 Por Romana Borja-Santos
A crise financeira está também a gerar problemas diplomáticos. Espanha quer estar presente na cimeira internacional que acontecerá no próximo dia 15 de Novembro, em Washington, convocada pelos Estados Unidos, mas o Presidente Bush parece não querer ceder e já garantiu mesmo que não vai aumentar a sua lista de convidados – o que não deixou o chefe do Governo espanhol nada satisfeito.
A Casa Branca veio hoje dizer que está disposta a ouvir as ideias e soluções que Espanha queira apresentar na cimeira financeira de Novembro, mas que o país não poderá ter nenhum enviado e deverá ser representado pelos convidados. O porta-voz de Washington, citado pela agência noticiosa espanhola Efe, assegurou, contudo, que “não houve nenhuma decisão de excluir Espanha”, mas que se achou que o melhor formato seria convocar os G20, isto é, as principais economias desenvolvidas e em desenvolvimento.
Assim, e se a influência do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, não forem suficientes para até lá mudar a decisão dos Estados Unidos, para Washington voarão apenas os chefes de Estado e de Governo do G20 e Espanha não faz parte deste grupo, que foi criado em 1999 como resposta à crise financeira que eclodiu no final dos anos 1990 e como reconhecimento das economias emergentes.
Os ilustres convidados serão pois a Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, Reino Unido mais Sarkozy e o presidente do Banco Central Europeu (ambos em representação da União Europeia).
A porta-voz presidencial dos Estados Unidos, Dana Perino, citada pelo jornal espanhol “El País”, explicou hoje que o objectivo do encontro é criar grupos de trabalho que deverão estudar e encontrar soluções para reformas institucionais e reguladoras importantes para a saúde dos mercados financeiros. Nesta cimeira o primeiro passo será descobrir os “porquês” da actual crise e analisar as respostas prontas que foram sendo anunciadas pelos diferentes países.
Primeiro-ministro espanhol inconformado
Para o primeiro-ministro espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero, estes argumentos em nada ajudam e não justificam a decisão norte-americana. E lamenta, ainda, que seja tão difícil superar os formatos já estabelecidos. Segundo o líder de Espanha, o seu país é pioneiro no modelo de supervisão das entidades financeiras que fez com que, enquanto outros países caíssem em “grandes colossos financeiros”, em Espanha até “o mais pequeno banco sobreviva”. Outras fontes de Moncloa relembram que há dois bancos espanhóis entre os primeiros 16 do mundo e que Espanha é o terceiro maior investidor, logo depois dos Estados Unidos e de França.
Ao lado de Zapatero têm estado outros grandes líderes. Durão Barroso disse que ficaria “encantado” se Espanha pudesse participar. Gordon Brown está também ao lado dos espanhóis. Sarkozy, depois da “gafe” no Parlamento Europeu, onde disse que lhe parecia que os convidados mais indicados seriam o G8 (de que não faz parte Espanha) mais algumas economias emergentes, veio hoje de manhã expressar o seu apoio à presença de Zapatero, pelo “peso na economia mundial” do país que governa e que ocupa o oitavo lugar mundial em função do seu PIB (Produto Interno Bruto).
Convém dizer que o "número um" espanhol telefonou ao representante do Eliseu para lhe mostrar o seu descontentamento que já tem antecedentes: Zapatero também não foi convidado para a mini-cimeira europeia de 4 de Outubro, realizada entre Berlim, Roma Paris e Londres e que levou Sarkozy a encontrar-se com ele mais tarde para desfazer o possível mal-entendido.

