Costa Rica recebe negociações sobre crise nas Honduras com rivais irredutíveis

18.07.2009 - 13:27 Por Reuters
Hoje a Costa Rica recebe negociações para tentar desbloquear a crise política nas Honduras, mas nem o lado do Presidente deposto Manuel Zelaya, nem o de Robert Micheletti, que o substituiu, no golpe de 28 de Junho, parecem ter grande vontade de chegar a acordo.
O Nobel da Paz e Presidente da Costa Rica, Oscar Arias, está a tentar alcançar um compromisso entre as partes. Na sexta-feira, parecia um pouco optimista: “Acredito que as posições iniciais se suavizaram”, disse. Arias anunciou que vai propor a criação de um governo de coligação para quebrar o impasse, e também sugerir uma amnistia para crimes políticos cometidos neste período, como uma forma de chegar à trégua.
Mas tanto Zelaya como Micheletti, nomeado pelo Congresso hondurenho depois do golpe que depôs o Presidente, parecem pouco dispostos a ceder terreno.
E a violência, que tem andado nas ruas, com apoiantes de Zelaya a bloquear estradas, e opositores do Presidente deposto a manifestarem-se também, pode agudizar-se.
Zelaya tem o apoio da maioria da comunidade internacional, e emitiu um ultimato dizendo que as conservações falharão se ele não voltar à presidência – da qual foi afastado pelos militares e golpistas por acharem que ele estava a procurar encontrar formas de se eternizar no poder, realizando um referendo para mudar a Constituição nesse sentido.
Mas Micheletti continua a dizer que Zelaya será preso se tentar entrar em território das Honduras.
A mulher do Presidente deposto, Xiomara Castro de Zelaya, disse à Reuters que sábado é a data-limite: “O tempo acaba-se amanhã”, disse na sexta-feira. Zelaya tem de regressar. Arias, a Assembleia-Geral das Nações Unidas e a Organização de Estados Americanos afirmam que a solução para crise tem de incluir a devolução do poder a Zelaya, que foi eleito democraticamente.
Mas isso é a única coisa que Micheletti considera não-negociável.
A solução de compromisso avançada por Micheletti é a proposta de que se realizem eleições antecipadas, e aí ele poderia deixar o poder – mas só se Zelaya se mantiver afastado.
Notícia corrigida às 20h10

