Laura Chinchilla, a candidata do partido no poder e protegida do Prémio Nobel da Paz Óscar Arias, venceu as eleições presidenciais de ontem na Costa Rica, tornando-se na primeira mulher a ser eleita Presidente do país.
Após a vitória, Chinchilla, antiga vice-presidente de Arias, prometeu continuar as suas políticas liberais naquele país da América Central.
A candidata do Partido da Libertação Nacional (PLN, de centro-esquerda) venceu com 47 por cento dos votos, praticamente o dobro dos resultados alcançados pelos seus rivais, Otto Guevara e Otton Solis, que rapidamente admitiram a derrota.
Chinchilla junta-se assim a um pequeno grupo de mulheres que governam numa região tipicamente dominada por homens e que inclui Michelle Bachelet, do Chile, e Cristina Kirchner, da Argentina.
“Estou grata ao bom trabalho do último governo e estou grata ao nosso país, que está a tentar seguir em frente, recusando-se a permitir que esse avanço tenha um fim”, disse Chinchilla depois de se ter declarado a sua vitória, diante de uma multidão de apoiantes.
Beneficiando de estabilidade política numa região turbulenta, a Costa Rica é um sucesso económico na América Central, com uma economia baseada no turismo, na exportação de café, ananases e bananas, bem como na montagem de microchips.
Popular junto dos eco-turistas, surfistas e reformados canadianos e americanos, a Costa Rica tem orgulho nas suas seis décadas de democracia e estabilidade.
Casada e com um filho adolescente, Chinchilla é uma conservadora social que se opõe ao casamento gay e ao aborto, mas é considerada uma grande defensora dos direitos das mulheres.
Os votos em Chinchilla ficaram acima dos requeridos 40 por cento para evitar uma segunda volta, mas o seu PLN não conseguiu conquistar a maioria na assembleia legislativa, o que significa que terá de se coligar com partidos da oposição.
A Costa Rica é a segunda maior economia da América Central e não vivia um ano de recessão há 27 anos, até 2009.
Óscar Arias, que venceu o Nobel da Paz em 1987 pelo seu papel de mediador nas guerras civis da América Central, estava impedido pela Constituição de se candidatar a um novo mandato, depois de ter sido Presidente entre 1986 e 1990 e depois novamente em 2006.


