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Presidenciais norte-americanas

Corrida pela nomeação democrata vai acabar hoje?

20.05.2008 - 10:26 Por Rita Siza

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Ontem, Hillary Clinton prosseguia a campanha confiante de que convencerá os superdelegados Ontem, Hillary Clinton prosseguia a campanha confiante de que convencerá os superdelegados (Brian Snyder/Reuters)
Nem 2025 e muito menos 2209: afinal, o número mágico para a vitória na corrida pela nomeação democrata parece que vai ser 1627, a maioria simples do total de delegados eleitos nas primárias e caucus democratas para a Convenção Nacional de Denver em representação de um candidato.

Oficialmente, o Partido Democrata declarou que a confirmação do nomeado depende de 2025 votos, repartidos entre delegados e superdelegados, essa figura peculiar criada para garantir o "controlo" institucional do processo de escolha do candidato - são membros do Congresso, governadores e outros dirigentes, com total liberdade de voto.

A candidatura da senadora de Nova Iorque Hillary Clinton entende porém que a matemática oficial do partido não representa todo o eleitorado, porque exclui os delegados dos estados do Michigan e Florida, afastados da convenção por desrespeito das regras de calendário.

Apostada no reconhecimento dessas eleições, Clinton coloca a fasquia nos 2209 votos e espera levar a corrida até ao fim. Mas para o seu opositor, Barack Obama, basta alcançar os 1627 votos dos delegados eleitos directamente para a consagração - o que deve acontecer já esta noite, no rescaldo das votações dos estados do Kentucky e Oregon. Será que a corrida pela nomeação democrata acaba hoje?

Teoricamente, a questão fica resolvida esta noite. Mas mesmo assim, a resposta é não, a corrida não acaba aqui. Ontem, a campanha de Obama, que na última semana repetiu à exaustão que o partido devia seguir o mesmo rumo dos eleitores, dava sinais de recuo na declaração de vitória antecipada - a faixa gigante de "missão cumprida" que deveria ser o pano de fundo no discurso de Obama afinal ficará no armazém.

Isto não quer dizer que a campanha do senador do Illinois deixou de acreditar na nomeação. O campo de Obama está preparado para uma pesada derrota no Kentucky, onde a vantagem de Clinton toca os 30 por cento. Mas a esperada vitória no Oregon será mais do que suficiente para Obama obter 1625 delegados.

Deferência para com Hillary

O compasso de espera na declaração de vitória de Obama era ontem interpretado como uma espécie de "deferência" para com Hillary: consciente de que a sua próxima tarefa será unir o partido, o senador quer deixar margem de manobra à sua adversária para pôr um fim digno à campanha (e evitar antagonizar desnecessariamente os seus apoiantes, de que vai necessitar em Novembro).

Ontem, Hillary Clinton prosseguia a campanha confiante de que convencerá os superdelegados. Esgrimiu outro argumento numérico - os votos do colégio eleitoral, responsável pela eleição do Presidente - para contrariar a liderança de Obama. "Os estados que ganhei totalizam 300 votos do colégio eleitoral. A questão é: quem é capaz de assegurar 270 votos do colégio eleitoral em Novembro? Até agora, o meu adversário só conseguiu arrecadar 217 votos", sublinhou.

"Esta corrida está longe do fim. Nenhum de nós tem o número de delegados necessário para a nomeação. E eu vou continuar a apresentar as minhas razões até ser nomeada", prometeu, em Maysville, Kentucky, cidade natal do actor George Clooney, que apoia Obama.

Segundo a imprensa americana, a grande lição a reter destas primárias é a máxima "o destino está na demografia". No Kentucky, a maioria de eleitores brancos e de classe média baixa está a favor de Hillary; o Oregon, mais diverso e economicamente mais rico, é propício a Obama.

Se o nomeado democrata conseguir atrair estas duas "coligações" de eleitores, pode garantir a vitória em Novembro. Apesar do candidato republicano, John McCain, não acreditar que a América está preparada para virar à esquerda, as sondagens nacionais indicam a preferência da opinião pública pelos democratas.

Num cenário Clinton versus McCain, ela venceria com mais 1,8 por cento dos votos. Se for Obama o candidato democrata, a vantagem para o seu opositor é maior: 3,4 por cento.

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Comentário + votado

Comunista mas consciencioso!

Apoio o que Fernando Lopes de Oeiras diz! E digo mais: enquanto comunista devo considerar que Obama ...

Sérgio Resende

20.05.2008 14:46

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