Coreia do Norte sobe tom das ameaças abrindo a porta a um ataque à Coreia do Sul 
27.05.2009 - 09:09 Por Dulce Furtado, com agências
O regime de Pyongyang ameaçou esta manhã atacar a vizinha Coreia do Sul, numa resposta acossada à pressão exercida por várias frentes da comunidade internacional na escalada de tensão que se seguiu à realização de um ensaio nuclear norte-coreano na madrugada de segunda-feira.
Esta ameaça surge depois de Seul se ter declarado parte activa na iniciativa, liderada pelos norte-americanos, de fazer buscas em navios norte-coreanos suspeitos de transportarem armas de destruição maciça.
Para o muito fechado regime comunista de Pyongyang, a decisão da Coreia do Sul – de adesão expressa, na noite de ontem, à chamada Iniciativa de Anti-Proliferação (PSI) – constitui uma “declaração de guerra”. Isso mesmo era precisado num comunicado do exército do país, citado pela agência noticiosa local KCNA, avançando ainda que Pyongyang se considerava assim “desligada” do armistício assinado com o país vizinho no final de guerra de 1950-1953.
“Qualquer acto hostil praticado contra os nossos navios pacíficos, incluindo buscas e confiscação, será considerado uma violação imperdoável da nossa soberania e responderemos imediatamente com um poderoso ataque militar”, avisou porta-voz do exército norte-coreano, citado pela mesma agência. “Aqueles que nos provocaram vão ter de enfrentar uma sanção sem piedade e inimaginável”, continuou o mesmo responsável, apontando directas responsabilidades na presente crise a Washington e a Seul.
O ensaio nuclear feito pela Coreia do Norte na madrugada de segunda-feira – a que se seguiram testes de mísseis ontem assim como já hoje – provocou uma enorme vaga de condenação na comunidade internacional e, em simultâneo, grande apreensão de que Pyongyang faça chegar este tipo de armamento a outros países ou grupos.
Ao mesmo tempo que o Conselho de Segurança das Nações Unidas se mantém em virtualmente ininterruptas conversações para adoptar mais duras sanções contra o regime norte-coreano, o Presidente norte-americano, Barack Obama, procura aí e em outras frentes formar uma resposta unificada aos recentes testes norte-coreanos, que violam resoluções das Nações Unidas e sinalizam, de resto, que a Coreia do Norte pode estar mais perto de possuir uma efectiva bomba nuclear.
Vapores de água em Yongbyon
A ameaça de Pyongyang a Seul surgiu, aliás, um par de horas apenas depois de os media sul-coreanos terem noticiado que a Coreia do Norte – que amealha muito dinheiro através da venda de armamento – reactivou a central de processamento de plutónio em Yongbyon. A emissão de vapores de água na central, detectada por satélites espiões norte-americanos, indica que foi reiniciada a produção de combustível nuclear, sustenta o jornal "Chosun Ilbo".
O regime norte-coreano comprometera-se a desactivar Yongbyon em Fevereiro de 2007, ao abrigo de um acordo no âmbito das negociações a Seis (as duas Coreias, Estados Unidos, Rússia, Japão e China). Mas a 14 de Abril passado, Pyongyang retirava-se das conversações sobre o seu polémico dossier nuclear e dava como terminada a colaboração com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA, organismo nas Nações Unidas), em reacção à condenação feita pelo Conselho de Segurança ao lançamento, no início daquele mês, de um foguetão norte-coreano alegadamente para pôr em órbita um satélite de comunicações.
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