O regime de Pyongyang manifestou hoje vontade de alcançar rapidamente um tratado de paz que formalize o cessar-fogo da Guerra das Coreias (1950-53), dando substância ao reconstruir de confiança com os Estados Unidos, e prontificando-se, em troca, a regressar às negociações sobre o seu desarmamento nuclear que estão suspensas.
A oferta surgiu pouco depois de o enviado norte-americano à Coreia do Norte sublinhar que a melhoria de relações dos dois países só pode dar-se depois de os norte-coreanos porem termo ao abuso sistemático dos direitos humanos no país.
“É um dos piores lugares do mundo em termos de violações dos direitos humanos. A situação é revoltante”, avaliou o homem escolhido pela Administração de Barack Obama para avaliar a situação na Coreia do Norte. Robert King fez estas duras críticas em Seul, na sua primeira viagem à região depois de ter assumido a missão há mês e meio, e fez questão de deixar claro que “uma relação entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte tem que envolver a questão dos direitos humanos”.
Este tem sido um ponto de desentendimento constante nas já muito tensas relações entre Pyongyang e Washington, muito embora amiúde seja deixado à sombra das insistentes tentativas da Administração de Obama em fazer com que a Coreia do Norte regresse às negociações nucleares a seis (reunindo as duas Coreias, a China, Japão, Estados Unidos e Rússia), que os norte-coreanos abandonaram há pouco mais de um ano.
Os Estados Unidos denunciam a existência de uma vasta rede de “prisões políticas” onde são detidas quaisquer pessoas associadas à crítica ao regime de Kim Jong-il; muitas vezes são presos não apenas os alegados opositores como os seus familiares, tidos como “culpados por associação”. A Coreia do Norte leva a cabo execuções públicas – “arbitrárias” de acordo com várias associações de direitos humanos e capitais ocidentais – além de manter uma mão férrea de controlo sobre todos os media e impedir o direito de expressão.
O regime sinalizou já há algumas semanas que está disposto a pôr fim ao boicote às negociações de desarmamento nuclear, tendo prontamente os analistas alertado que essa disponibilidade viria com condições agregadas – à cabeça, o estabelecimento de uma relação diplomática cordial com os Estados Unidos e o fim das sanções que lhe foram reforçadas no âmbito das Nações Unidas em condenação aos testes nucleares e ensaios de mísseis conduzidos em Maio de 2009.
Essa condição parece ter sido agora clarificada por Pyongyang: “Para a confiança entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos ser construída é essencial firmar um tratado de paz que ponha termo ao estado de guerra, que, para começar, é causa originária das relações hostis”, afirmou porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, citado esta manhã pela agência noticiosa estatal KCNA. A mesma fonte avaliou ainda que “o remover desta barreira de discriminação e desconfiança, como o são as sanções, pode em breve conduzir à abertura das negociações a seis”.



