A Coreia do Norte disse hoje ter atingido a última fase de enriquecimento de urânio e anunciou que se prepara para fabricar novas armas nucleares com barras de urânio usadas. A notícia é avançada pelas agências de notícias da Coreia do Norte, a KCNA, e do Sul, a Yonhap.
“Testámos com sucesso o enriquecimento do urânio e os testes entraram na fase final”, refere a agência oficial de notícias norte-coreana KCNA, citada pela Yonhap. E acrescenta: “Estamos também a finalizar o novo tratamento de barras de urânio usadas. Plutónio extraído [de um reactor] está em fase de militarização”, afirmou o representante permanente da Coreia do Norte nas Nações Unidas, citado pela KCNA. A agência explica que as barras de urânio usadas vêm de apenas um reactor norte-coreano que produz plutónio.
A Coreia do Sul reagiu imediatamente, prometendo uma resposta “firme” face às “ameaças e provocações” do Norte.
Diálogo ou sanções
Numa reacção à aprovação da resolução 1874 do Conselho de Segurança da ONU que prevê o endurecimento de sanções ao regime, em Junho, Pyongyang tinha dito que ia proceder ao enriquecimento de urânio e à transformação de plutónio.
O anúncio de hoje é entendido por alguns como uma nova táctica para pressionar a comunidade internacional, escreve a Reuters que lembra a opinião de peritos segundo os quais o Norte ainda está longe de aperfeiçoar a tecnologia para obter urânio altamente enriquecido necessário para fabricar armas nucleares. Seja como for, haverá sinais que sugerem que o processo está a andar, acrescenta.
“Estamos ao mesmo tempo preparados para o diálogo e para as sanções”, declarou o diplomata norte-coreano numa carta dirigida ao presidente do Conselho de Segurança da ONU. Na carta, citada pela KCNA, o diplomata diz responder a um “pedido de esclarecimentos” do comité das sanções da ONU.
Pyongyang adverte que se os membros do Conselho de Segurança insistirem em privilegiar as sanções em detrimento do diálogo, o regime será obrigado a “tomar contra-medidas auto-defensivas mais fortes”, uma referência, segundo a AFP, a um possível terceiro teste nuclear, como o realizado a 25 de Maio último, ou ao lançamento de um novo míssil de longo alcance.


