Dez anos depois do acidente que deixou sem vida mais de cem pessoas a bordo do avião Concorde da Air France, a companhia norte-americana Continental Airlines soube que terá de pagar 200 mil euros de indemnização às famílias das vítimas enquanto “responsável criminal” pela queda do aparelho supersónico anglo-francês.
O Tribunal de Pontoise, em França, concluiu na manhã desta segunda-feira que o acidente foi provocado por uma placa de titânio de 43 centímetros caída de um DC10 da Continental que passou na pista antes do avião da Air France.
A 25 de Julho de 2000, o supersónico Concorde da companhia francesa descolou do aeroporto de Roissy-Charles-de-Gaulle para um voo transatlântico, mas só vooaria uns escassos dois minutos, até se despenhar a cinco quilómetros da pista, em Gonesse.
Segundo o relatório oficial, o pedaço caído de um avião da Continental provocou o rebentamento de um dos pneus do trem de aterragem do Concorde, lançando detritos que entraram nos depósitos de combustível do aparelho, incendiando-os.
A Continental foi condenada pela morte de 113 pessoas – cem passageiros, nove membros da tripulação e quatro pessoas em terra – e será ainda obrigada a pagar um milhão de euros à Air France (500 mil euros por danos morais e a restante quantia por danos de imagem), ainda assim um valor bastante inferior aos 15 milhões pedidos pela companhia francesa.
Durante a audiência, o procurador Bernard Farret, explicou ter sido encontrada prova de “contacto” entre a peça metálica e o Concorde, cujo “pneu explodiu em 11 pedaços”, disse citado pelo diário francês “Le Figaro”.
O tribunal concluiu ainda que a sociedade que sucedeu à construtora do aparelho EADS (Companhia Europeia de Defesa Aeronáutica e do Espaço) tem também responsabilidade civil no caso, por razões de negligência, pelo que deverá pagar 30 por cento das indemnizações às famílias das vítimas.
A título individual, o mecânico da Continental John Taylor foi condenado a 15 meses de prisão suspensa.
O processo decorreu entre Fevereiro e Maio deste ano, período durante o qual a Continental contrapôs sempre que o Concorde se incendiou 700 a 800 metros antes do local onde caiu a peça do seu avião.
O Concorde, capaz de ligar Paris a Nova Iorque em menos de três horas, inaugurou os voos transatlânticos em 1969 e faria a última ligação três anos depois do acidente de Paris.



