Conselho de Segurança reúne-se amanhã para discutir independência do Kosovo

13.02.2008 - 17:52 Por PÚBLICO, Agências
O Conselho de Segurança da ONU reúne-se amanhã a pedido da Sérvia e da Rússia para discutir a aguardada declaração de independência da província do Kosovo, mas são poucas as expectativas de que o encontro conduza a uma mudança de posições sobre o assunto.
A confirmação do encontro foi feita pelo embaixador líbio, Giadalla Ettalhi, que preside actualmente ao Conselho de Segurança, e que admitiu ser pouco provável a aprovação de uma resolução “ou de qualquer outro resultado”.
A reunião foi pedida pela Rússia, reforçando uma solicitação feita antes pela Sérvia, país do qual o Kosovo pretende separar-se. Mas o chefe da diplomacia de Moscovo admitiu estar “pouco optimista” depois de um encontro, esta manhã, com representantes da União Europeia, em que ficaram patentes as “divergências radicais” dos dois blocos em relação à independência da província.
Ainda assim, Serguei Lavrov sustenta que afastar o Conselho de Segurança, “o organismo que lançou as bases para uma resolução pacífica da guerra no Kosovo seria um grande erro”.
A reunião na instância máxima da ONU ocorre a dias da esperada declaração unilateral de independência do Kosovo, uma província sérvia de maioria albanesa, que é administrada pelas Nações Unidas desde 1999. Espera-se que o anúncio das autoridades de Pristina seja feito no próximo domingo, devendo a independência ser reconhecida de imediato pelos EUA e por vários países da União Europeia, embora Bruxelas não tenha adoptado uma posição oficial sobre o assunto por desacordo de alguns Estados-membros.
A Rússia, tradicional aliado de Belgrado, mantém a sua oposição às pretensões da maioria albanesa da província, mas hoje Lavrov garantiu que Moscovo não planeia adoptar sanções contra o Kosovo ou os países que reconheçam a sua independência. “A Rússia não conta, entre os seus meios de acção política, recorrer a represálias ou sanções”, garantiu.
Os meios diplomáticos prevêem, por isso, que os “acontecimentos de amanhã em Nova Iorque [sede das Nações Unidas] não serão determinantes”. “A verdadeira questão, se como esperamos o Kosovo se declarar independente, é saber quem o reconhecerá”, declarou um diplomata europeu, que falou à AFP sob condição de anonimato.


