Conselho de Segurança da ONU condena ataque israelita contra activistas

01.06.2010 - 09:28 Por PÚBLICO
Ao fim de uma reunião de 12 horas, o Conselho de Segurança da ONU pediu um inquérito à operação militar israelita contra a frota pró-palestiniana que levava ajuda a Gaza. A declaração aprovada “condena os actos que resultaram na perda de pelo menos dez vidas e fizeram numerosos feridos”. A Turquia não conseguiu manter no texto uma condenação explícita de Israel.
O Conselho “apela a lançar sem demoras um inquérito imparcial, credível e transparente de acordo com os critérios internacionais” e “reclama a libertação imediata dos navios e dos civis detidos por Israel”.
O texto inicial foi escrito pela Turquia, país que acusou Israel de “terrorismo de Estado”, depois do ataque militar lançado contra embarcações turcas que integraram a iniciativa Frota da Liberdade, que pretendia levar até à Faixa de Gaza 10 mil toneladas de ajuda. A declaração aprovada por unanimidade durante a madrugada “exorta Israel a permitir aos países envolvidos um acesso consular que lhes permita recuperar os corpos das vítimas e os civis”.
O Conselho “lamenta profundamente a perda de vidas humanas e os feridos resultantes do uso da força durante a operação militar israelita em águas internacionais contra a frota que se dirigia a Gaza”, acrescenta o texto. E neste contexto, “condena os actos” que provocaram estas vítimas.
Segundo diplomatas das Nações Unidas citados pelas agências, foi um desacordo entre Turquia, país redactor, e os Estados Unidos, tradicional protector de Israel na ONU, que impediu uma aprovação mais rápida do texto. A versão inicial incluía uma condenação explícita de Israel por ter lançado o assalto militar à frota.
Durante o debate no Conselho, tal como aconteceu um pouco por todo o mundo, Israel foi alvo de duras críticas e ataques vindos principalmente da Turquia. Várias embarcações e muitos dos perto de 700 activistas que integravam a iniciativa eram turcos. Em vários países da Europa e do Médio Oriente realizaram-se também protestos nas ruas: o maior aconteceu em Istambul.
O Conselho de Segurança quis ainda sublinhar uma vez mais que “a situação em Gaza é insustentável”. A Faixa, onde vivem 1,5 milhões de palestinianos, enfrenta um bloqueio imposto por Israel desde a vitória do Hamas nas eleições legislativas, em 2007.
Os membros do principal órgão decisor da ONU relembram resoluções aprovadas anteriormente onde se sublinha “a necessidade de um fluxo sustentado e regular de bens e pessoas em direcção a Gaza, e o fornecimento e distribuição sem entraves de ajuda humanitária em todo o território”.

